Os 105 anos de um homem exemplo a ser seguido

José Caetano Coelho, nasceu no dia 7 de setembro de 1915, em Minas Gerais
O feriado de 7 de setembro é uma data marcante para o Brasil e para a família do “seu José“, um morador da Vila Urupês, que acaba de completar 105 anos. Por conta da pandemia do coronavírus, a tradicional festa que todo ano reunia mais de 100 membros da família, precisou ser reduzida a um bolo, com poucas pessoas para cantar o parabéns.
José Caetano Coelho, nasceu no dia 7 de setembro de 1915, em Minas Gerais. Veio para o Paraná em julho de 1950, ao lado da esposa Efigênia Maria de Castro e quatro filhos. A família foi morar em Barbosa Ferraz. Na época, tudo era mata virgem, o que exigia muito trabalho braçal.
A filha Maria Auxiliadora de Farias, 71 anos, é quem faz alguns relatos daquela época. “Na época, meu pai instalou uma moradia rústica no meio da mata, próximo onde depois surgiu Barbosa Ferraz”, conta ela.
A chegada a Campo Mourão foi em 1980, portando há 40 anos. A família adquiriu uma casa na região da Vila Urupês, onde o idoso mora até hoje. Católico, ele sempre pertenceu e participou no Santuário Nossa Senhora Aparecida. Hoje, sentindo peso da idade, seu José passa a maior parte do tempo acamado.
Mas na segunda-feira, dia do seu aniversário, ele acordou animado. Recebeu parte dos familiares e cortou o bolo para celebrar seus 105 anos. “Até me surpreendeu ver que ele acordou bem, no dia do aniversário. Recebeu a todos, conheceu todo mundo e conversou bastante”, conta a filha.
Para ela, toda essa longevidade está ligada ao estilo de vida que seu pai levou, sempre com alimentação saudável, nunca bebeu ou fumou e principalmente pela religiosidade levada muito a sério.
“Desde criança, eu e meus irmãos tínhamos que ir todo domingo à igreja, caminhando até cinco quilômetros. Meus pais sempre foram muito atuantes na igreja”, relata Maria Auxiliadora, que segue o exemplo, também sendo prestativa aos serviços da igreja.
Em meados de 70, após as geadas destruírem os cafezais, seu José passou para o plantio da hortelã e foi pioneiro na cultura. “Ele era o único que tinha alambique para extração do óleo.”
Mas o negócio acabou indo por ‘água abaixo’. “Uma enchente destruiu a represa e levou os equipamentos do alambique, o que fez com que meu pai passasse a se dedicar ao cultivo do algodão, arroz, feijão, milho e hortaliças. Sempre tivemos toda variedade de frutas num lindo pomar plantado por ele”, recorda.
José Coelho tem 12 filhos, 28 netos, 42 bisnetos e 6 tataranetos. “Para se ter uma ideia, a tataraneta mais velha tem 13 anos. Meu pai teve oito irmãos, sendo ele o mais velho e o único ainda vivo.”
Dos 12 filhos, quatro já faleceram. Seu José ficou viúvo há 16 anos. Maria Auxiliadora diz que as maiores virtudes, tanto do pai quanto da mãe, são o respeito, honestidade e amor uns aos outros, nunca permitindo desavença entre os irmãos. “A gente nem podia falar alto entre os irmãos que era repreendido. E ai se não obedecesse”, comenta ela.