Vida útil do aterro de Campo Mourão pode acabar antes de sua ampliação

A capacidade do aterro sanitário de Campo Mourão está num limite que desafia sua gestão. Capacidade, que para a ambientalista Lídia Mizote foi abreviada pelo volume de lixo reciclável recebido no aterro entre o orgânico. Limite, que para o vereador Luiz Alfredo da Cunha Bernardo (PT do B) beira a poluição ambiental. Gestão, da qual a tecnóloga ambiental da UTFPR, Drª Cristiane Kreutz, diz aguardar “dados de monitoramento” para avaliar. A reportagem acompanhou a visita de uma comitiva ao aterro, na última sexta-feira (22).

Durante a visita, ocorrida pela manhã, vereadores (Luiz Alfredo, Edson Battilani, Sidnei Jardim, Olivino Custódio e Edilson Martins) cumpriam agenda de uma Comissão Especial que investiga a qualidade dos serviços de limpeza pública, desde a coleta à destinação de resíduos. Além da ambientalista Lídia Mizote (Agenda 21) e da tecnóloga ambiental Drª Cristiane Kreutz (UTFPR), os vereadores também convidaram o empresário Nelson Botega (Observatório Social).

Na ocasião, o vereador Luiz Alfredo lembrou que há dois anos o aterro sanitário opera sem autorização do IAP (Instituto Ambiental do Paraná). Ele garantiu que “a quantidade de dejetos gerados cria um potencial de poluição ambiental” e atentou à falta de manutenção: das lonas de proteção, das células (antigas) de depósito de lixo e das lagoas de tratamento do chorume (que aliás, teriam transbordado). Portanto, ele conclui que a prefeita e seus imediatos serão penalizados por multas diárias e sentencia que: “o dinheiro não está sendo aplicado na proporção em que estamos pagando”.

Faltou previdência?

Mas a questão aparentemente mais urgente é a vida útil do aterro que, de acordo com os visitantes, está no fim. Luiz Alfredo prevê a possibilidade de suspensão da coleta. “O que temos aqui é que no máximo até dezembro ou janeiro vai chegar a operação desse aterro. Aí você tem que suspender a coleta e isso é um absurdo. Então vão ter que dar uma prioridade para isso aqui. O anteprojeto está pré-elaborado. A própria UTFPR já fez isso para a Prefeitura. Tem que se finalizar esse projeto e iniciar a abertura da nova célula. Só que é um processo de mais um ano”, enfatiza.

Já a coordenadora da Agenda 21, Lídia Mizote, não fala em suspensão da coleta, mas alerta que o lixo pode começar a ser colocado direto no chão. Pelo que ela e o vereador Luiz Alfredo explicam, pode-se esperar que a vida útil do aterro termine antes do processo necessário para a ampliação de sua capacidade. “Aí, no prazo de alguns meses, o município tem que estar com a nova célula pronta. E é um trabalho demorado, que requer aplicação de investimentos, contratação de serviços e não é um processo rápido”, calcula.

Para Mizote, o problema ainda é agravado pela quantidade de lixo reciclável que vai parar nos caminhões da empresa Seleta e, em seguida, no aterro. “Se esse material (reciclável) fosse devidamente separado, e destinado às associações e cooperativas, você conseguiria aumentar sim a vida útil do aterro sanitário. Então, a gente tem uma estimativa de que 30% do material que está sendo depositado aqui seria passível de reciclagem”, avalia.

O aterro e a Justiça

Numa crítica à ausência de planejamento, coordenação e administração, o vereador Luiz Alfredo falou em levar o caso “…às barras do tribunal para travar a execução orçamentária no que diz respeito à coleta aos residuais”. O vereador Edson Battilani (PPS) disse que o aterro já rendeu multas ao município e lembrou que quem as paga é a população. Já o empresário Nelson Botega (presidente do Observatório Social) conta que já foram protocoladas no Ministério Público solicitações a fim de atestar e garantir a transparência dos serviços.

Carlos Eduardo Kadu/Tásabendo.com (Fotos: Fernando Lorenzzo)