Um sonhador

Conhecido como professor Geraldo, o personagem desta semana nasceu no bairro Três Ranchos em Promissão-SP, no dia 4 de Setembro de 1936. Seu sonho sempre foi dar aula e ser chamado de professor. Com muito esforço e batalha ele o realizou.

Geraldo Oliveira ficou órfão de mãe aos cinco anos de idade, quando passou a morar com os avos maternos. Em pouco tempo, a avó morreu e, após um ano, o avô, sentindo falta de uma companheira, se casou novamente. Com isso, Oliveira voltou a morar com o pai, que também já estava com outra mulher.
O professor conta que, apesar de sua madrasta sempre tratar ele e sua irmã muito bem, devido à sequencia de acontecimentos e mudanças juntando com o começo da puberdade, ele não se acertou com ela. “Certo dia, meu pai resolveu me dar uns safanões e eu resolvi fugir. Fui atrás de meus parentes em São Paulo, a cerca de 400 km de minha cidadezinha. Imagina, um menino de 13 anos na capital. Foi uma luta. Aprendi muitas lições.”
Geraldo ficou apenas três meses na capital e seu pai o obrigou a retornar, só que desta vez foi morar na casa de um tio. Ficou por cerca de três anos e mudou para casa de outro tio. Quando completou 18 anos, resolveu retornar para a capital, mas também ficou pouco tempo, pois sua família resolveu se mudar para Jandaia do Sul, no Paraná.

Apesar da infância turbulenta, com muitas mudanças de ambientes, Oliveira mantinha vivo o desejo de ser professor. Sempre ajudou seus familiares na lavoura e, largou os estudos quando completou o quarto ano primário, com 12 anos. Geraldo só conseguiu voltar a estudar, após se casar, com 22 anos. Em Jandaia concluiu 1ª Série do Ginásio, como era chamada na época (hoje, a 5ª série).

Determinado a realizar seu sonho de menino, mesmo com a 5ª série somente, Oliveira viajou para Curitiba. “Eu fui falar com o diretor de Educação da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Floriano Xavier. Ele me disse: ‘rapaz, com apenas a 5ª série você quer dar aula?’ Eu respondi: ‘o que posso fazer é meu sonho.’ Me disseram que não tinha nada no momento para oferecer. Deixei meu endereço e eles ficaram de entrar em contato caso aparece algo.”
De fato. Pouco tempo depois da visita à Curitiba, Geraldo recebeu um telefonema dizendo que havia um trabalho. “Eles estavam abrindo uma escola em Francisco Beltrão e me convidaram para iniciar os trabalhos.” Oliveira prontamente aceitou o convite. “Eu morava em Jandaia do Sul e precisava agora dar aula em Francisco Beltrão. Naquela época nem estrada tinha. Fui de avião de Maringá até Pato Branco, de lá peguei um ônibus para chegar ao meu destino. Não tinha nada de escola, era apenas um salão. Corri atrás de cadeiras, carteiras, lousas e comecei a dar aula.”

Apesar de já ser chamado de professor, Geraldo precisava terminar os estudos. Quando chegou em Francisco Beltrão, não tinha onde estudar, pois o Colégio Estadual estava começando o Ginásio, e ele já tinha a 1ª série. Precisou esperar um ano para começar a 2ª série do Ginásio.
Após dois anos na cidade, foi transferido para Santa Mariana onde conseguiu avançar mais nos estudos. Após um longo período foi novamente transferido, agora para Tamboara, próximo de Paranavaí. Ali terminou os estudos e já iniciou a faculdade de Ciências. No segundo ano, precisou transferir a faculdade para Mandaguari. “O segundo ano da faculdade foi puxado. Toda a noite eu tinha que sair de Tamboara e ir até Mandaguari. Só aguentei um ano e desisti.”

O professor Geraldo foi mais uma vez transferido, indo para Assis Chateaubriand e de lá para Londrina onde conseguiu, finalmente se formar em Ciências. Terminada a faculdade, Oliveira ficou trabalhando em Londrina por cinco anos e em 1980 foi outra vez transferido, agora para Campo Mourão. “Eu trabalhava na Escola Adventista, mas conheci o professor José Pochapski, que na época era diretor da Secretaria de Educação na época, e fiz uma grande amizade. Comecei então a trabalhar na prefeitura por um tempo, mas retornei para o Colégio Adventista.”
Em 1986, quando José Pochapski era prefeito, Geraldo começou um projeto para recuperar dependentes químicos. “Fizemos um trabalho muito bonito. Conseguimos ajudar muita gente. Deu muitos resultados. Mas infelizmente, por falta de recursos, não foi possível dar sequencia.”
Certo de ter feito diferença na vida de muitos alunos, Geraldo Oliveira se aposentou como professor em 1994. Desde então sempre ficou envolvido na luta para ajudar dependentes químicos.

Sempre contanto com total apoio de sua esposa em todas suas lutas, Geraldo vive tranquilo e feliz por tudo o que conquistou.
Atualmente ele ajuda seu filho que possui uma micro confecção de roupas infantis. Hoje Oliveira está com 80 anos, é pai de três filhos e avô de cinco netos.