Um servo da comunidade

Nascido em Urubici – SC, Jaime Sidiney, 70 anos, está viúvo há dois anos. Ainda pequeno se mudou para Lages, onde seu pai abriu um negócio próprio. Depois se mudaram para Guarapuava e no ano de 1949 vieram para Campo Mourão. Sua família morava, na época, na Avenida José Custódio de Oliveira, numa casa de madeira, próximo ao Banco do Brasil, que pertence à família até hoje. Foi nesse mesmo tempo que ele se tornou coroinha do Padre Aluízio.

Seu pai, Virgínio, colaborou na construção de um antigo hospital, que ficava no atual museu de Campo Mourão. Além de ser um homem inteligente, tinha uma habilidade para saber construir coisas, apesar de não ser estudado tudo que ele sabia foi a vida que lhe ensinou. Já sua mãe plantava cheiro verde para vender, ajudando nas despesas da casa.

Aos sete anos, ele já trabalhava. Ao sair da escola engraxava sapato na Avenida Manoel Bandeira e logo depois começou a vender frutas, e, então, passou a buscar as frutas, no Barreiro das Frutas, assim, resolveu abrir uma quitanda e desta fez uma mercearia, tudo para ajudar o pai na criação dos irmãos.

Depois de um tempo, Jaime precisou servir o exército em Curitiba e teve que vender sua mercearia. Mas ficou apenas três meses servindo o exército, dispensaram-no pelo fato de ter muitos irmãos e ser um dos que ajudava na colaboração do sustento da casa. Eram 18 pessoas no total. Quando voltou, logo se casou com Ivone Regina Ponte Sidiney, que na época tinha 18 anos. Assim, ele começou a fazer frete com sua caminhonete, além de trabalhar de taxista, pois a vida, segundo ele, não estava fácil.

Com essa ocupação após se casar, sua mulher teve seu primeiro filho, Ivan, aos 18 anos, e logo já tiveram outro, Iran, além de criar uma irmã, Dercioní, pois sua mãe havia falecido.
Segundo Sidney, o que ele tem, o que foi e o que pôde realizar, foi graças à sua esposa, por toda a força dela, mesmo ele se esforçando, mas era ela quem o cobrava. Sempre trabalhando, deixou o taxi de lado e foi estudar Técnico em Contabilidade. Montou uma máquina de beneficiamento de arroz, no Lar Paraná. Com a pouca produção de arroz, veio a produção de soja, vindo a mecanização, e foi aí que a máquina de beneficiamento de arroz já não beneficiava mais. Por isso, resolveu entrar no ramo da tornearia, oficina que funciona até os dias de hoje na Avenida John Kennedy. Jaime conta que ainda gosta de frequentar o negócio, mas deixou de trabalhar por problemas de saúde e quem comanda é seu filho.

Pensando na geração futura, junto com mais cinco colegas, organizava um movimento para a fundação da Faculdade Fecilcam. Eles deixavam suas famílias e seguiam de distrito em distrito pedindo apoio. Muitas vezes chovia e eles tinham que dormir dentro do carro, totalmente desconfortáveis, e mesmo assim não desanimaram. Depois de muita dedicação, eles conseguiram fundar a Fecilcam, conseguiram um apoio da comunidade, e principalmente de Dom Elizeu Simões Mendes, que ia para Brasília atrás da solicitação da conclusão da faculdade. O falecido Horácio Amaral, prefeito da época, contribuiu muito também com isso. Assim Sidiney, foi indicado e eleito, o primeiro presidente fundador do diretório acadêmico da Fecilcam, anos depois ele foi reeleito. Participou também da escolha do nome e símbolo da faculdade.

Por ter ajudado na fundação da Fecilcam, os amigos de Sidiney faziam questão que ele fizesse um dos cursos da entidade. Mesmo tendo sua empresa para cuidar, decidiu fazer. Ele lembra que nos dias de prova, enquanto se arrumava, sua esposa lia a matéria para ele.

Aos 25 anos Sidiney entra na maçonaria, sendo mal visto por algumas pessoas da época. Nela, aprendeu muitas coisas, assim teve que caminhar no “gume da navalha”, nem para a direita, nem para a esquerda. Dentro da moral, da ética cristã. Seguindo a trilogia máxima, onde tem o caminho pra Cristo, sendo a fé, a esperança e a caridade. Assumindo diversos compromissos desde então, perante a esposa e a família do irmão, perante a humanidade e a pátria, assim ele conseguiu o anel do grau 33, o último grau.

Sempre colaborando com a comunidade, Sidney será homenageado pela Câmara Municipal com o título de Cidadão Honorário de Campo Mourão. “Me sinto muito honrado por isso, mas não fiz tudo sozinho, tive muita ajuda de grandes amigos.”

Hoje Jaime Sidney reveza seu tempo com o lar e a sala de hemodiálise.Com as marcas do passado, ele se sente muito grato por tudo que já fez em vida, sempre com fé em Deus.