R$ 54 milhões: sobras distribuídas pela Coamo devem aquecer o comércio neste final de ano
A Coamo Agroindustrial Cooperativa começou na manhã desta terça-feira (13) a distribuição de R$ 54,5 milhões em sobras antecipadas para seus cooperados. Os valores foram liberados simultaneamente em todas as unidades da cooperativa no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. A antecipação das sobras é feita ao quadro social na proporção da sua movimentação durante o ano na fixação dos produtos soja, milho, trigo e também no abastecimento de insumos.
Na sede da cooperativa, em Campo Mourão, a movimentação começou cedo, antes mesmo das 8h00 já tinha associado esperando na porta. O presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, faz questão de acompanhar e cumprimentar os cooperados que comparecem na agência para receber. ‘É uma satisfação enorme poder fazer parte de uma cooperativa como essa. São muitos os cooperados que ficam surpresos porque não esperavam um valor alto como esse de sobras. É um prazer devolver aquilo que já é do cooperado’, afirma Gallassini.
De acordo com o presidente da Coamo, as sobras representam um diferencial positivo do cooperativismo. “Isso mostra mais uma vez que tivemos um ano de bons resultados. O dinheiro das sobras, além de ‘engordar’ o natal dos agricultores e seus familiares, ajuda a aquecer o comércio em todas as comunidades da área de atuação da Coamo”, acrescenta.
Aos poucos, a da sede da cooperativa começa a ficar lotada. Tem cooperado que traz junto a família, os filhos. E tem também cooperadas, que fazem questão de buscar o ’14º salário’. É o caso da sitiante Inair Fantin, 61 anos. Ela mora em Campo Mourão, no Jardim Copacabana, mas possui propriedade em Mamborê. ‘Quem cuida do sítio é meu filho, e esse dinheiro vai servir para comprar presentinhos para meus seis netinhos’, conta sorridente.
Os atendentes chamam um após o outro, sem trégua e sempre com um largo sorriso, os associados não se incomodam de esperar. E mesmo após receberem, aproveitam para rever amigos e bater papo, afinal é dia de festa. ‘Isso aqui é só alegria. Faço isso há mais de 40 anos. Se eu vendo para terceiros, além de me ‘roubarem’ na hora de carregar ainda não devolvem nada. É um momento de felicidade’, assegura João Pinto dos Santos, de 84 anos. Ele se orgulha de ter participado desde o início da cooperativa. ‘Minha matrícula é 1011. Naquela época, se você chegasse hoje, era o número mil, se chegasse amanhã já era o 3 mil. Então posso garantir que sou um dos primeiros’, comenta.
O pé engessado, caminhando com a ajuda de muletas, não impediram o produtor Armindo Pereira Antônio, 49 anos, de buscar pessoalmente a sua parte. ‘Não dá para perder, tem que garantir o natal.’ Ele mora em Piquirivaí, distrito de Campo Mourão, e diz que vale a pena passar a produção para a cooperativa. ‘A nossa safra está sempre garantida e sem falar que são poucas as cooperativas que fazem isso, que devolvem as sobras para a gente’, disse animado.
A segunda parte das sobras será distribuída aos cooperados após a realização da assembléia geral do exercício de 2011, que deverá ocorrer fevereiro do próximo ano. ‘Nós estamos repassando agora apenas 30%, depois da assembléia tem mais 70% para os cooperados receberem’, finaliza o presidente.
(Fernando Lorenzzo)