Quedas constantes de energia afetam o comércio de CM, e presidente da Acicam cobra Copel

Francisco Viudes, presidente da Acicam cobra Copel sobre os constantes cortes de energia – Foto: Divulgação
As constantes quedas e oscilações no fornecimento de energia elétrica em Campo Mourão têm gerado preocupação entre empresários e comerciantes. Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam), Francisco Viudes, a entidade tem recebido diversas reclamações relacionadas às interrupções e aos prejuízos provocados pelo problema.
Viudes afirma que a situação tem afetado diretamente o funcionamento das empresas. Ele cita como exemplo a própria Acicam, onde um aparelho de ar-condicionado teria queimado após dois picos de energia.
Em outra ocorrência, segundo ele, a empresa na qual é proprietário permaneceu cerca de duas horas sem eletricidade, deixando 33 colaboradores sem condições de produzir. “O nosso equipamento ficou desativado, 33 colaboradores sem produzir. Isso é prejuízo”, afirmou.
Segundo ele, a entidade já levou as reclamações a vereadores e outras autoridades e também participou de uma audiência pública para discutir o fornecimento de energia no município. Na ocasião, conforme relatou, foi informado que a Copel apresentaria um parecer sobre as ocorrências, mas ele afirma que a resposta ainda não foi apresentada.
SEM COMUNICAÇÃO
Outro ponto questionado é a falta de comunicação sobre interrupções programadas ou serviços de manutenção. Para Viudes, as empresas precisam ser avisadas com antecedência para que possam organizar suas atividades e reduzir os impactos financeiros.
“O que mais tem nos preocupado é que, quando há uma reparação, não há um aviso com antecedência, para que o empresário possa se organizar. Simplesmente caiu a energia e você fica sem saber por que caiu e quando vai ser restabelecida”, relatou.
Viudes também questiona a responsabilidade pelos prejuízos causados por oscilações e interrupções, principalmente quando equipamentos são danificados ou a produção precisa ser interrompida.
“Quem é que é responsável por isso? Você entra numa ação, demora um, dois, três anos para ser ressarcido. É justo isso? Acho que não. Porque no vencimento nós somos obrigados a pagar. Se você atrasar um dia, no dia seguinte paga juros e multa. E o prejuízo, quem vai ressarcir?”, questionou.
Segundo o presidente da Acicam, as reclamações deixaram de estar associadas apenas a períodos de temporais. Ele afirma que interrupções também têm ocorrido em dias de tempo estável, aumentando a preocupação do setor produtivo.
PROCON
O diretor do Procon, Edilson Moreira, também se manifestou sobre as constantes quedas de energia elétrica registradas no município. Segundo ele, o Procon oficiou o Ministério Público para que sejam adotadas medidas em relação à Copel.
De acordo com Moreira, o pedido busca a proposição de uma ação para obrigar a empresa a realizar as melhorias necessárias na rede elétrica e evitar a repetição dos problemas.
O diretor informou ainda que o procedimento segue modelo semelhante ao adotado anteriormente em relação à Sanepar. Na ocasião, o Procon encaminhou ao Ministério Público todos os processos e reclamações registrados contra a empresa, com o objetivo de subsidiar uma eventual ação judicial.
A mesma documentação está sendo apresentada agora em relação à Copel, reunindo os processos abertos pelo Procon em razão das interrupções no fornecimento de energia e dos problemas relatados pelos consumidores.
A medida busca garantir que as empresas adotem providências estruturais para melhorar a qualidade dos serviços prestados e reduzir os prejuízos e transtornos causados à população.
COPEL CITA El Niño
Sobre as quedas de energia dos últimos dias, o diretor de Operação e Manutenção da Copel, Gustavo Theodor divulgou um vídeo para esclarecer a situação. “Mobilizamos 145 equipes para atuar na recuperação do sistema elétrico e restabelecer o fornecimento de energia aos consumidores afetados pelo forte evento climático que atingiu Campo Mourão e municípios da região no início desta semana”, afirmou.
Segundo Theodor, as equipes estão trabalhando para religar todos os clientes que permanecem sem energia. “O Paraná enfrenta, pela quarta semana consecutiva, condições climáticas adversas.” Segundo ele, o cenário está associado ao fenômeno denominado pela companhia como “Super El Niño”, que vem influenciando as condições meteorológicas no estado nas últimas semanas.