Preso em Londrina homem acusado de ser o mandante da morte de Conrado Jr

Na manhã desta quinta-feira(01) a Polícia Civil de Campo Mourão apresentou Clauci Pereira de Miranda, 34 anos, conhecido como ‘Irmão’. Depois de um longo período de investigações, ele foi localizado e preso, na cidade de Londrina, na  manhã de quarta-feira (30). Ele é acusado de ser o mandante do homicídio de João Luiz Conrado Júnior, na época com 30 anos. O jovem era filho do ex-chefe do Núcleo Regional de Educação de Campo Mourão, professor João Luiz Conrado. Policiais londrinenses deram apoio à ação que culminou na prisão do acusado.

O crime

O crime aconteceu em abril de 2010, quando Conrado foi morto com quatro tiros na cabeça, em uma rua do Jardim Tomazi, em Campo Mourão. Segundo a polícia, três pessoas tramaram a morte do jovem. ‘O executor, Diones Ney Ribeiro de Lima, de 20 anos, conhecido por Borrachinha,  já foi julgado e condenado a 14 anos de prisão, em regime fechado. Já está cumprindo sua pena na cadeia de Campo Mourão. O mandante é Clauci Pereira de Miranda, o Irmão, que acaba de ser preso. Falta agora localizarmos essa terceira pessoa envolvida no planejamento do crime’, explica Dr. José Aparecido Jacovós, delegado chefe da 16ª Subdivisão da Polícia Civil de Campo Mourão.

O delegado explica que várias ligações telefônicas entre Irmão e Borrachinha, muitas falando sobre o crime, foram interceptadas. ‘Informações dão conta de que momentos antes do crime eles mantiveram contato e Borrachinha ligou para a vítima para marcar o encontro. Ao chegar no local marcado, Conrado foi alvejado com quatro tiros’, informa Jacovós. ‘Mesmo depois de preso, Borrachinha continuou mantendo contato telefônico com Irmão. Eles falavam sobre o crime e Irmão já manifestava a intenção de fugir’, comenta.

Jacovós informa que no processo, o testemunho de três pessoas citam Clauci como mandante.  ‘Além disso gravações telefônicas deixam claro o seu envolvimento’, relata. ‘Na época do crime o processo foi desmembrado. Borrachinha foi julgado e condenado. Já o processo de Clauci continuou em separado. Agora com sua prisão estaremos complementando as informações e enviando os autos para a justiça, para os procedimentos legais. No seu caso a pena pode ultrapassar os 20 anos’, explica o delegado.

Apresentação

Ao ser apresentado, Clauci negou qualquer participação no crime. ‘Não mandei matar ninguém. Não fiz nada. Eu sou trabalhador, tanto que eu não estava fugindo. Sou técnico em eletrônica e estava trabalhando em Londrina’, disse. ‘Eu nem conheci esse Conrado’, continua. Perguntado sobre o seu relacionamento com Borrachinha, ele disse que o conheceu através de colegas de trabalho. ‘Eu fui fazer um serviço extra, fora da firma, e levaram o Borrachinha para ajudar. É a partir dai que eu o conheço e, também, sua mãe’, explica Clauci.

Jacovós, ao ouvir as afirmações de Clauci não concordou com as suas alegações. ‘Como todo criminoso ele é um mentiroso. Ela era traficante aqui na cidade . Inclusive o pai da vítima foi até a sua casa para o que o filho pagasse dívidas de droga. Além disso as gravações das conversas entre os criminosos não deixa nenhuma dúvida quanto ao seu envolvimento’, conclui.

Alívio

O pai da vítima, o professor João Luis Conrado disse estar aliviado com a prisão de mais um envolvido na morte de seu filho. ‘Eu não tive paz desde o crime. Agora já estou mais tranquilo’. comenta. ‘O meu filho era usuário. Tentei tratá-lo por diversas vezes, inclusive uma vez o internei a força em São Paulo, mas ele fugiu. Pouco antes de sua morte ele me procurou para dizer que iria se tratar. Ele me disse que devia para 4 ou 5 traficantes da cidade. Eu o levava até os traficantes e entregava o dinheiro para ele pagar’, continua. ‘O que eu estranhei é que esse Irmão não estava na lista. Por isso eu quero saber porque eles o mataram’, salienta o professor.

Na época, João Luiz entregou em juízo uma lista com os nomes dos traficantes com os quais se filho se envolveu. ‘Eu entreguei a lista sem nenhum medo. Eu precisava fazer isso. Acho que todos devem denunciar. O tráfico está acabando com os nossos jovens’, desabafa. ‘Agora espero que esse pague pelo crime que encomendou. O mandante é mais covarde, porque não tem coragem de fazer, manda fazer’, continua. ‘Falta mais um, e estamos fazendo o possível para que ele também seja preso’, finaliza.

(Ari Mendonça)