População lota Câmara para discutir plano de educação; votação será na quinta e sexta

A secretária municipal de Educação, Karla Tureck, inaugurou a discussão da 9ª Audiência Pública realizada na Câmara Municipal, nesta segunda-feira (15). O tema era a aprovação ou não do Plano Municipal de Educação (PME), em especial da Meta 12, que trata, entre outras coisas, da “igualdade de gênero” e “de condição sexual”. Durante a semana passada, esses subitens foram publicamente rejeitados por correntes religiosas de Campo Mourão, o que, provavelmente, explique o recorde de público no plenário do Legislativo.

Do pronunciamento de Karla Tureck destacou-se a justificativa de que um total de 1.805 pessoas participou do processo de elaboração do PME durante a Conferência de Educação realizada no ano passado, que teria referendado o texto final. A secretária também agradeceu e parabenizou a presença de tantos populares numa audiência pública sobre Educação. Karla lembrou ainda que o plano municipal contou com uma equipe técnica de 89 pessoas e foi norteado pelo Plano Nacional de Educação (PNE).

O juiz da Vara de Família, Infância e Juventude, Edson Jacobucci Rueda Júnior, também ressaltou a importância de um público tão grande para discutir a Educação do município e recomendou que os pais participem da vida escolar dos filhos e de eventos, que como aquele, discutem os interesses da sociedade.

Foi seguido no uso da palavra pelo promotor da 2ª Promotoria de Justiça, Luciano Matheus Rahal, que destacou a omissão de muitos pais na educação dos filhos. “Hoje, aqui, de repente muitos acordaram para uma situação que não concordam porque foi divulgado na mídia, enfim, foi divulgado na imprensa, mas, de repente, se estivessem participando um pouco mais das discussões nas escolas, nas conferências, nas reuniões de pais, essa situação já teria sido discutida antes”, lamentou.

Representando a Diocese de Campo Mourão, o padre Adilson Naruishi ressaltou os valores principalmente da família, mas também da misericórdia, da sociedade, da educação, da espiritualidade e atacou correntes de pensamentos que, segundo ele, causam “sinais de colapso da família”, e afirmou que a ideologia de gênero visa “o esvaziamento dos conceitos de homem e mulher, de masculino e feminino… ao impor a ideia de que o sexo biológico e físico seria um dado irrelevante, do qual seria necessário libertar-se para construir uma identidade de gênero”.

O evento se estendeu da tarde até a noite e foram ouvidos dezenas de pessoas do público. Entre estes, estavam favoráveis e contrários à Meta 12 do Plano Municipal de Educação cujo resumo propõe (na íntegra): “Estabelecer ações fortalecedoras em toda a Educação do Município de Campo Mourão que contribuam para uma prática educativa com ênfase na promoção da igualdade étnico-racial, de gênero, de condição sexual, religiosidades e na garantia de acessibilidade atitudinal”.

O Plano Municipal de Educação foi encaminhado à Câmara Municipal pela Prefeitura. Na Casa de Leis, o texto deve ser aprovado ou reprovado, editado ou mantido em duas sessões extraordinárias previstas para quinta e sexta-feira. Vale lembrar que o texto final será sancionado ou vetado pela prefeita, Regina Dubay.