Paixão pela mecânica mantém José Soltoski há meio século na profissão

José Soltoski segura o alvará da empresa que é mantido na parede da oficina – Fotos: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com
Aos 80 anos de idade, José Soltoski segue firme atrás do balcão e debaixo dos carros em sua oficina no centro de Campo Mourão. Aposentado há duas décadas, ele nunca conseguiu se afastar das ferramentas.
São quase 60 anos de dedicação à mecânica, uma profissão que começou ainda jovem e que se transformou em parte inseparável de sua identidade.

Soltoski lembra exatamente a data em que iniciou suas atividades: em 2 de maio de 1966. O alvará veio apenas em junho do mesmo ano, por pura desconfiança de que o negócio não daria retorno.
“Achei que não ia dar dinheiro, mas deu certo e nunca mais parei”, relembra. Naquela época, a oficina era voltada à mecânica em geral, inclusive com reparos nas chamadas trilhadeiras (depois substituídas pelas colheitadeiras) com muito serviço e jornadas exaustivas. “Chegava cedo e trabalhava até meia-noite, uma hora da manhã. Tinha que ser assim para dar conta do serviço”, conta.

Hoje, com o ritmo mais tranquilo, entra cedo e encerra o expediente por volta das 17 horas. Antes de abrir o próprio negócio, José trabalhou na empresa Cometa, entre 1960 e 1966, onde funcionava uma empresa de ônibus. Foi ali que aprendeu boa parte do ofício.
Natural de Irati, nasceu em 17 de abril de 1945, no mesmo período em que se encerrava a Segunda Guerra Mundial. Chegou a Campo Mourão em 1952, ainda criança, com apenas sete anos de idade.
Primogênito de cinco irmãos, Soltoski construiu uma família marcada pelo trabalho. Entre os irmãos há um médico, um sapateiro e duas irmãs costureiras. Ele se aposentou oficialmente aos 60 anos, quando ainda mantinha quatro funcionários na oficina.
Com a aposentadoria, dispensou os empregados e passou a trabalhar sozinho. “Agora faço no meu tempo. Já pensei em parar, mas não consigo”, admite ele, que relata já ter perdido unhas no ofício.
Atualmente, a oficina é voltada à manutenção de escapamentos, mas ele não rejeita serviços mecânicos. “Hoje o perfil dos clientes mudou bastante. Antes o pessoal não tinha pressa. Agora o cliente chega e fica em cima, olhando e apressando a entrega. Além disso, é muita reclamação pelo preço. Naquela época a pessoa nem perguntava o preço, deixava o carro na oficina e quando voltava pagava sem reclamar”, relata.