Pai diz que filho foi esmagado por carro: “Ele pensou que fosse um cachorro e passou por cima”

Ele (o motorista) disse que pensou que havia atropelado um cachorro e não parou logo após a batida – Foto: João Silvestrin/Tasabendo.com

A morte por acidente do pequeno Richard Ferreira dos Santos, de 2 anos, na noite de sábado, 9, em frente ao Parque das Torres, em Campo Mourão, destruiu também a vida de seu pai, Richard Anderson Ferreira de Melo, 28 anos.

Inconformado com a tragédia, ele concedeu entrevista para a imprensa nesta quarta-feira, 13, para falar sobre seu sentimento, da dor da família e do que pensa sobre o motorista que provocou o acidente.

“Ele (o motorista) disse que pensou que havia atropelado um cachorro e não parou logo após a batida. O carro passou por cima do corpinho dele que ficou esmagado. Quando cheguei meu filho estava embaixo do carro, já na parte de trás. Minha filha que estava junto gritou assim como outras pessoas, mas ele só parou quando já tinha arrastado meu filho por alguns metros”, descreveu Melo.

Após a tragédia e os gritos das pessoas que estavam no local, o motorista parou e prestou apoio. No entanto, segundo o pai, sua intenção era levar a criança direto para a Santa Casa, mas acabou indo parar na UPA.

“Pela gravidade dos ferimentos, pedi para que fosse levado na Santa Casa, mas ele (motorista) seguiu para a UPA. De lá que houve a transferência para a Santa Casa. Ainda na UPA ele pedia perdão e dizia que pensava ter atropelado um cachorro, mesmo tendo ouvido os gritos das pessoas para que parasse”, afirma o pai. “Não entendo a distração dele e porque não parou antes.”

A criança foi esmagada pelo carro, sofrendo múltiplas fraturas. O velório, segundo o pai, se resumiu a um momento de oração. “O corpo estava esmagado e só fizemos uma oração para que ele pudesse descansar em paz”, declara.

Sobre o filho estar aos cuidados da irmã, de apenas 10 anos, o pai afirma que não foi bem assim. “Assim que chegamos no local meu filho disse que queria batata. Minha filha então o acompanhou até a conveniência do outro lado da rua, quando no retorno ele acabou soltando a mão dela. Foi quando o carro passou e causou o atropelamento. Pra começar uma pessoa sem habilitação não poderia estar dirigindo, por isso assumiu o risco e a culpa”, constata o pai, que pede justiça.

Muito abalado, Melo afirma que não deseja nenhum mal para o motorista que atropelou o seu filho. Devido ao estado emocional, o pai disse que está recebendo atendimento psicológico e tomando medicação.

“Meu filho era uma criança muito amorosa, eu chegava do serviço e ele tirava a minha bota. Depois buscava o chinelo para eu tomar banho. Seu sonho era que comprássemos um carro e sempre falava isso quando eu saia para trabalhar”, desabafa.

A família, que morava na cidade de Nova Aliança, em Minas Gerais, pretende deixar Campo Mourão após a perda do filho. “Estamos fazendo uma vaquinha para voltar para nossa cidade. Viemos a Campo Mourão com esperança de vida de nova, mas agora estou deixando meu coração para trás.”