Observatório Social pede verificação do motivo de pregões desertos

Roberval Ruscetto, presidente do Observatório Social de Campo Mourão

O Observatório Social de Campo Mourão quer que a administração municipal e as entidades empresariais locais desenvolvam ações em conjunto para verificar as razões do pouco interesse demonstrado por empresas em participar de licitações realizadas pela prefeitura e outros órgãos públicos da cidade. Nesta semana, por exemplo, dois de três pregões presenciais exclusivos para micro e pequenas empresas, promovidos pela prefeitura, foram declarados desertos por falta de fornecedores interessados.

“Não tem lógica as empresas não se interessarem em participar, pois estão aí justamente para vender. Saliente-se ainda que as vendas estão em queda e as empresas não podem desperdiçar oportunidades de negócios. Alguma coisa está errada e precisa ser detectada e solucionada”, acentua o presidente do Observatório Social, Roberval Melo Ruscetto.

A proposta é de que seja realizada uma consulta, por amostragem, junto a empresas de Campo Mourão para saber o motivo porque não participam das licitações realizadas pelo Município. “Somente ouvindo os empresários é que serão levantadas as reais razões desse desinteresse. Os preços máximos estabelecidos são condizentes? A prefeitura paga em dia os fornecedores? Falta de divulgação? Qual é o motivo?”, questiona o dirigente da entidade.

Nesta semana, por falta de fornecedores, foram declarados desertos pregões abertos pela prefeitura para a aquisição de acessórios de recarga de oxigênio medicinal (valor máximo – R$ 17.166,90) e de paleteira manual hidráulica (valor máximo – R$ 1.389,00).

Pesquisa

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae no final de 2014 apontou que 54 por cento de 70 micro e peque nas empresas de Campo Mourão abrangidas pela sondagem não haviam participado de processos de compras governamentais por licitação nos 36 meses anteriores. Já aquelas que participaram de compras públicas revelaram um aumento médio de 21 por cento no faturamento, de 17 por cento na produtividade da equipe, de 14 por cento no número de funcionários e de 13 por cento na rentabilidade de produtos e serviços.

Mas não são apenas às micro e pequenas empresas locais que demonstram desinteresse pelas licitações públicas. Em 2013, praticamente 25 por cento das licitações  realizadas em Campo Mourão foram vencidas por empresas de outras cidade. Os registros apontam ainda que em 2014, dos R$ 85 milhões que as compras públicas movimentaram no Município, R$ 63,7 milhões foram compras dos de empresas locais, mas que R$ 21,2 milhões foram contratados de empresas de fora.

Várias iniciativas de entidades empresariais locais com o objetivo de reverter essa situação, promovidas nos últimos anos, não tiveram sucesso. “A saída é ouvir do empresário porque não participa das licitações, já que têm o produto ou serviço requerido e precisa vender. E é importante que esse dinheiro permaneça em Campo Mourão para fomentar nossa economia e gerar empregos e renda”, finaliza Roberval Roberval Ruscetto.