Observatório Social de Campo Mourão é representado em Fórum e Encontro Nacional
Representantes do Observatório Social de Campo Mourão – o segundo implantado no país – participaram recentemente do 2° Fórum Transparência e Competitividade e do 7º Encontro Nacional dos Observatórios Sociais (ENOS). Os dois eventos aconteceram no período de 10 a 12 de março, em Curitiba.
Quais medidas são as mais eficazes para se combater a corrupção dentro das empresas? Qual o novo cenário – e mudanças – que a Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) trouxe ao país? Essas foram algumas questões debatidas no Fórum Transparência e Competitividade, promovido pelo Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e pelo Centro Internacional de Atores Locais para a América Latina (CIFAL) Curitiba.
Entre os palestrantes convidados, o jornalista William Waack e o juiz federal Sergio Moro, que encerrou o evento com a palestra “Corrupção, empresas e controle”. As vagas esgotaram-se rapidamente, o que levou ao encerramento das inscrições.
Com foco no empresariado, a programação foi pensada justamente para debater e elucidar o setor privado sobre quais ferramentas e ações são mais eficientes no combate ao problema dentro das empresas, sobretudo, depois da Lei Anticorrupção ser sancionada em 2013. Com esse novo cenário criado no Brasil, passou a ser uma necessidade para as companhias ficarem atentas para minimizar os riscos de gestão, já que a Lei determina que empresas de todos os portes tenham processos de ética definidos, e sejam punidas caso se envolvam em atos de corrupção contra a administração pública. Se condenadas, essas empresas podem pagar multa de até 20% do faturamento.
Para o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo, o combate à corrupção não se restringe a uma maior fiscalização e transparência nas ações do poder público. Ele exige que as empresas também tenham uma postura ética em seus negócios e implantem sistemas internos para identificar e combater eventuais práticas corruptas.
Para contribuir com o esforço do setor produtivo no combate à corrupção, temas como a adoção de ferramentas de compliance (conjunto de regras e políticas internas que pode ajudar a detectar inadequações em uma organização), foram abordados pelos convidados do 2º Fórum Transparência e Competitividade. A adoção desses códigos, que têm sido realizada inclusive por empresas de pequeno porte, pode ajudar não só a minimizar o risco de inadequações, como também contam pontos a favor em uma redução de pena em uma avaliação jurídica, por exemplo.
“A conjuntura e a corrupção no Brasil: quais são os impactos na competitividade das empresas?” foi o tema abordado pelo jornalista William Waack (âncora do “Jornal da Globo” há 10 anos, professor da Universidade de São Paulo (USP) e cientista político formado pela Universidade de Mainz, na Alemanha). Em sua fala, passou basicamente por três temas: a economia, a competitividade e a corrupção. Waack mediou ainda um painel com o CEO da Siemens do Brasil, Paulo Stark, e com o diretor jurídico da BASF Brasil, André Gustavo de Oliveira, sobre “A gestão organizacional em face da corrupção”.
A programação incluiu também a mesa jurídica “O sistema anticorrupção e a responsabilidade das empresas e gestores”
Sergio Moro
Responsável pela Operação Lava Jato, o juiz federal Sergio Moro encerrou o 2º Fórum Transparência e Competitividade. Por liderar um novo precedente no país e gerar reflexão sobre a responsabilização dos gestores, os participantes poderam conhecer qual é a visão do poder judiciário em relação ao tema.
O presidente do Observatório Social de Campo Mourão, Roberval Ruscetto, revela que o juiz Sérgio Moro e o jornalista William Waack foram unânimes em suas palestras “quanto à importância e à necessidade da manifestação da população, do apoio e da participação popular, a fim de que o que já está sendo feito se transforme em medidas efetivas que evitem a recorrência e perpetuação da chaga corrupção”, explica.
ENOS
Mais de 60 Observatórios Sociais, de 11 estados brasileiros, estiveram representados no 7º Encontro Nacional dos Observatórios Sociais (ENOS). Além de palestras de outras atividades, a programação incluiu a eleição da nova diretoria do Observatório Social do Brasil. O presidente do OSB – seção Campos Gerais (PR), Ney Ribas, foi eleito para substituir o mourãoense Ater Cristófoli no comando da entidade.
