Obesidade mórbida: Felício morre antes da ajuda chegar

Cansada de pedir ajuda para conseguir um internamento para o pai, Felício Abdalla, de 50 anos, que sofria com obesidade mórbida, Liz Dalmi Abdalla de Jesus, procurou o Ministério Público.

Ela relatou o que estava acontecendo, apresentou documentos de médicos que recomendavam uma cirurgia com urgência. A promotoria pediu para se manifestar esta semana.

Devido ao tamanho dele e sem conseguir fazer a higienização direito, acabou pegando bicho na barriga e nas pernas. ‘Estava horrível. Cada vez que ia no postinho as enfermeiras tiravam 70 a 100 bichos das feridas’, relata.

Mas no último sábado(14), Felício teve uma tontura e caiu dentro de casa. Socorristas do Corpo de bombeiros de Campo Mourão foram acionados para a atendê-lo, já que ele sozinho não conseguia se levantar e a filha não podia ajudá-lo, devido ao excesso de peso do pai.

Foi preciso seis homens para conseguir tirá-lo de dentro da residência, inclusive policiais militares, auxiliaram na ação.

Com segurança, o homem foi colocado na ambulância e encaminhado ao Hospital Pronto Socorro. Lá ficou internado até segunda-feira (16), quando devido a complicações acabou falecendo, gerando desconfiança da filha.

Liz conta que o pai ficou no hospital durante o sábado e o domingo sem receber qualquer cuidado. Apenas quando passou mal é que foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva, já no domingo, de onde saiu morto. “Se eles tivessem cuidado do meu pai desde sábado, ele estaria vivo”, reclama a filha.

A filha esta revoltada com o seguimento da saúde pública em Campo Mourão. Segundo ela, vários médicos, clínico geral, psicólogo, vascular, recomendavam um cuidado especial com o pai dela. “Ninguém fez nada. Agora perdi meu pai”, lamenta.

Seu Felício esta sendo velado e será enterrado hoje em Campo Mourão.