O outro lado da AIDS

(Marcos de Souza) O artista plástico e cabeleireiro, Eder Umbelino, têm 38 anos, e a 16 anos descobriu que é portador do vírus da AIDS. “O chão se abriu aos meus pés quando recebi a confirmação”, conta. Por falta de informação para o tratamento, Eder quase morreu. Saiu de 65 quilos em 2003 para 39 quilos, em menos de um ano, após a manifestação do vírus. “Pensei que iria morrer”, relembra Umbelino.

Mas com muita luta e o uso dos medicamentos, a oito anos, conseguiu se recuperar e as vezes recebe a visita de algumas pessoas que o procuram para pedir informações em sua residência, além de algumas vezes ser confundido como funcionário do setor responsável pelos portadores. “Uma vez me ligaram pedindo que eu levasse o medicamento de uma paciente que estava internada em um hospital da cidade. Como era o mesmo que eu usava, cedi três dias do meu medicamento para esta pessoa”, conta Umbelino.

Eder tem uma vida normal

Hoje, Eder trabalha como cabeleireiro num salão da cidade e diz que depois da descoberta e aceitação da doença, tudo melhorou. Além do trabalho, estuda, quer ser enfermeiro e tem vida social normal. “Os portadores precisam se aceitar primeiro. Eu me amo e amo as pessoas com quem me relaciono”, diz o cabeleireiro.

Segundo ele, nem sempre foi assim. “Sofri com o auto preconceito e depois, o das pessoas que se diziam amigas e quando virava as costas, me discriminavam, mas já passou”, lembra.

Na esfera política e de saúde pública, Umbelino não concorda com a forma com que a AIDS é encarada.  Para ele, o governo trata os portadores da doença como mais um número e não como seres humanos. “Somos pessoas como qualquer outra e não um dígito. Precisamos de atenção psicológica e social. Isso não acontece em alguns programas do governo”, denuncia. “Não é possível que um profissional de saúde entregue o laudo na mão da pessoa e dizendo ‘você esta com AIDS, vai viver a vida’. Esse paciente precisa de atenção especial, principalmente no início”, desabafa o cabeleireiro.

Por outro lado o artista não se esquece de dividir sua experiência quanto à prevenção. “Não há outra forma de se evitar a AIDS sem não por prevenção. Vai fazer sexo, não faça sem camisinha. Não compartilhe seringas ou agulhas. Ame a si mesmo. Previna-se”, alerta.

Ao final Eder ensina uma grande lição, a vida continua mesmo depois da AIDS.