O menino de Pitanga doado pela mãe

Alcindo de Oliveira, 76, nasceu dia cinco de maio de 1936, no município de Pitanga. Saiu de lá aos três anos quando mãe o doou para um tio porque o pai de Alcindo tinha morrido e a mãe não tinha condições de criar ele e seus irmãos. Alcindo foi morar num sítio com o tio perto de Roncador, onde começou a trabalhar com oito anos. Ficou na escola apenas seis meses e mal escreve o próprio nome.

Em 1959, aos 23 anos, Alcindo se casou e veio morar em Campo Mourão. Nesta época trabalhou dois anos numa fazenda. Depois foi trabalhar em serrarias por 22 anos. Em seguida, em 1988 trabalhou na Coamo quando o seu filho conseguiu um emprego em São Paulo e quis levá-lo para lá. Na Coamo o encarregado não queria que Alcindo saísse do trabalho, pois ele era um bom funcionário.

Mas ele resolveu que tinha que ir e deixou a esposa e os filhos em Campo Mourão. Em São Paulo trabalhava como servente de pedreiro durante o dia e à noite cozinhava para os outros empregados. Com oito meses teve que voltar porque sua esposa não queria mais ficar sem ele. Nesse período comprou um terreno no Lar Paraná, onde foi lentamente construindo uma casa.

Tempos depois um filho de Alcindo foi morar em Maringá e se dispôs a cuidar dos pais naquela cidade. Ele então colocou a casa para alugar e ficou em Maringá por dois anos. Quando voltou, a casa estava toda quebrada e o inquilino deixou de pagar um ano de aluguel e as contas de luz e água.

Alcindo então começou uma luta para se aposentar. Passou por três advogados até conseguir e foi para a rua vender sorvetes. Ficou nessa atividade alguns anos até que achou melhor deixar o campo para quem precisava mais que ele.

Alcindo tem oito filhos, mais de vinte netos e 15 bisnetos. Hoje não aguenta mais trabalhar, sente dores nas pernas e aproveita a aposentadoria ao lado da esposa, que fica em casa com alguns netos.