Nascida para cuidar e ensinar
Ana enfermeira, como é conhecida, nasceu na cidade de Pitanga no dia 27 de Outubro de 1949. Ana Luiza do Nascimento veio para Campo Mourão quando tinha 10 anos. Estudou até a 4ª série e depois ingressou no colégio junto com as freiras da santa casa na qual ficou por três anos. Ali se interessou por enfermagem e pelos estudos, gostando assim de trabalhar com crianças e idosos.
Desde criança gostava de brincar de ser professora e médica. “Só não cheguei a ser doutora, mas quando a mãe levava a gente pra consultar eu olhava como os médicos faziam então eu examinava minhas primas”, conta.
Ainda nos tempos de escola, começou a dar aulas de catequese na igreja. Notaram que ela levava jeito e nomearam-na como professora. Começou a dar aula aos 16 anos e, como era menor de idade, seu pai assinava seus contratos. Retornou para Pitanga onde deu aula até os 18 anos. Ficou nesse ramo por 12 anos, assim realizou seu sonho de criança.
Mais uma vez mudou-se, agora para Nova Cantu num sítio, onde não permaneceu por muito tempo por ter sido vendido. Mudando-se para a cidade foi dar aula, logo conheceu seu marido e se casou. Lá seu sogro tinha lavoura de hortelã, milho, além de criar porco, galinha entre outros, mas o principal era a hortelã que vendiam para a produção de óleo de avião além de vender para as fábricas de doces. Na época, seu marido era um lavrador forte em Nova Cantu. Porém, decidiram voltar para Campo Mourão, onde concluiu os estudos e construiu sua família, tendo seu primeiro filho aos 22 anos.
Com a vida corrida e trabalhosa, dona Ana não estava dando conta de cuidar da casa e das atividades da escola, as quais tinha que levar para casa no final do expediente. Decidiu mudar de profissão e fez um curso de auxiliar de enfermagem. Desde cedo já registrada preencheu duas carteiras de trabalho. Geralmente trabalhava longe de casa e dependia de transporte coletivo. “Nunca consegui andar de bicicleta, tentei uma vez, mas não consegui, desisti” diz.
Ana guarda com ela todas as lembranças vividas nos quartos do pronto socorro. “Essa história que vou falar é de Adriano. Ele tinha um problema de obstrução intestinal. E ele me deixou muitas recordações porque pedia para eu tirá-lo de lá. ‘Me tira daqui tia, não me deixa ficar com dor mais não.’ Ele tinha quatro aninhos. Isso marca bastante e eu não vou esquecê-lo nunca”, conta. Mas apesar das lembranças tristes, também se alegra quando lembra que chegavam pessoas com dores, passando mal e ela os medicava e os via tranquilos, sem dor, e isso já era uma vitória. A alegria maior para ela era quando eles deixavam o hospital. “Todos ficam contentes por ver os pacientes arrumando as coisas para ir embora, saindo bem pela porta da frente, agora quando sai pela porta dos fundos, aí é difícil”.
Sempre ajudou e quis o bem de todos. Ana acalmava todas as mães que estavam desesperadas por seus filhos doentes e machucados. “Eu sempre tentava acalmar as mães que ficavam vendo seus filhos numa cama de hospital. Certo dia, quando eu menos esperava, era o meu filho que chegava com convulsão. Eu sempre falava às mães: ‘calma seu filho já vai ficar bem’, mas quando chegou a minha hora, eu percebi que não era simples assim. Quando o vi eu perdi o chão. Não consegui ajudar em nada. Foi aí que senti o que era ver um filho em apuros. Dei graças a Deus quando ele sarou”, relata.
Não foi fácil, mas ela ficou nesse ramo por 20 anos e com o salário que ganhava criou todos os seus nove filhos. “Foi uma luta, só que eu venci”, conta. Permaneceu lá até se aposentar.
Hoje a enfermeira-professora esta com 64 anos e vive com seu marido e três cachorros. Além de tireóide, Ana tem hipertensão e a cada seis meses precisa ir à Curitiba para receber tratamento. É uma pessoa calma e paciente. Mesmo aposentada, usa um de seus dons para cuidar do marido, também doente.
Mãe de nove filhos e avó de 15 netos, sua casa está sempre cheia nos finais de semana.