Mulheres vivem em situação caótica na cadeia de Farol

A prefeita de Farol, Dina Cardoso, recebeu um relatório do comando do 11º Batalhão de Polícia Militar de Campo Mourão, sobre a situação caótica e precária em que se encontra a delegacia feminina sediada em Farol e que abriga presas de toda a região. O comandante do destacamento de Farol garantiu que há problemas na infra-estrutura e que o teto corre o risco de desabamento e ferimento, colocando em risco a vida e a saúde das mulheres.

Outro ponto relatado e que fere as mínimas condições humanas é que está havendo racionamento de comida, por falta de recursos financeiros advindos do governo do Estado. ‘Sem contar que não há privacidade para as mulheres, pois, não contam com policiais femininas na cadeia e seus problemas específicos de mulheres (cólicas,  tpm, menstruação, necessidade de absorventes, etc) não podem ser compartilhados. É desumano o que acontece. Essas mulheres precisam de melhor atenção e de transferência urgente daqui’, alerta a prefeita de Farol.

O problema foi relatado a ela pelo alto comando da policia militar de Campo Mourão que adiantaram que será pedida uma audiência com o juiz criminal, ministério público e delegado da policia civil. ‘Do jeito que está não dá para continuar, daqui há pouco os movimentos feministas pela defesa dos direitos das mulheres, igrejas evangélicas e pastorais católicas começarão á a interferir e criará uma situação constrangedora’, garante.

Segundo o Comandante do 11º Batalhão de Polícia de Campo Mourão,  tenente coronel Geraldo Moliani, o objetivo da audiência e foi para tratar sobre o encaminhamento oficial das reivindicações que foram levadas na audiência pública com o secretário da segurança pública do Paraná, coronel Aramis Linhares Serpa, no auditório da Associação Comercial e Industrial – ACICAM. ‘Ficamos honrados com essa visita, pois demonstra de forma inequívoca a preocupação compartilhada da polícia militar com os nossos problemas, em especial, com a situação da cadeia pública que abriga de forma precária as mulheres, tendo sido registrado até falta de comida em algumas oportunidades’, afirmou Dina Cardoso.

‘A construção de uma sede própria para abrigar a Policia Militar e a implantação de uma estrutura própria para a Policia Civil demonstra-se medida urgente e inadiável com a viabilização de viatura policial e efetivo policial feminino’, alega a prefeita.

‘Os policiais reclamam que não podem revistar as visitas femininas que frequentam a delegacia, além de outros inconvenientes  próprios que uma policial feminina estaria mais apta a realizar, inclusive, em relação à consultas médicas e acompanhamento das mulheres nas unidades de saúde, por exemplo’, explica o comandante da polícia local.

A prefeita descreveu que atualmente a estrutura local de Farol está sediando na  condição de responsável por abrigar o aprisionamento provisório feminino da Comarca de Campo Mourão, com a cadeia sendo utilizada exclusivamente por mulheres, das quais, felizmente, nenhuma da própria cidade e enfrentando até superlotação que varia de dez a quinze presidiárias e requer toda atenção e cuidado dos valorosos policiais militares, que são obrigados a deixar o patrulhamento preventivo da cidade e percursos antes rotineiros na área rural, por absoluta falta de condições, efetivo e carros.