Muito trabalho até depois da aposentadoria

Como se vê na foto, o entrevistado desta edição mostra as quatro carteiras de trabalho que com muito orgulho preencheu ao longo de uma vida de muito trabalho. Aposentou-se por tempo de serviço e continuou a trabalhar até 2011. Mas pretende voltar à labuta nos próximos anos.

Edvaldo Carneiro de Souza nasceu a 27 de maio de 1940 no município de Camaragibe, no Estado de Pernambuco e se criou no mesmo estado na cidade de Limoeiro, ambas na região metropolitana de Recife.

Os pais trabalhavam na roça e Edvaldo e os sete irmãos começaram na lavoura muito cedo, a partir dos sete anos. Frequentou por dois anos a escola, onde aprendeu a ler e escrever o mínimo possível. O pouco estudo nunca o incomodou. “Escrevo o nome de qualquer pessoa e sei ler um pouco. Para mim está bom demais”, explica.

Antes mesmo de completar 18 anos seu pai ficou doente e faleceu. Em 1960 Edvaldo se casou com Lindaura Dantas de Souza, com quem teve nove filhos. Com o tempo foram morar na área rural de Limoeiro e trabalhar na lavoura de milho, feijão e algodão, arrendando terras da empresa Algolim.

Em 1962 mudou-se para Assaí, no Estado do Paraná, onde tocou roça por alguns anos. Depois disso voltou para o Pernambuco, onde permaneceu pouco mais de um ano. Como já tinha trabalhado nas terras da Algolim em Pernambuco, seu próximo destino foi Campo Mourão. Morava no Jardim Pio XII, na região do Lar Paraná.
Veio para trabalhar na indústria da Algolim, na função de operador e montador de máquina de beneficiamento de algodão, por 11 anos. Em seguida trabalhou na mesma função na algodoeira da Coamo, durante 14 anos.

Na década de 90, Edvaldo se aposentou, mas continuou a trabalhar. Atuou como tecelão no município de Paulista, no Pernambuco e a partir de 2004 foi trabalhar no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, em sua profissão, e ficou nela até o ano passado. Ficava naqueles estados na safra, por seis meses, e voltava para casa em Campo Mourão o resto do ano. Era um dinheiro a mais porque a aposentadoria, segundo ele, é suficiente para manter a casa.

Com o que conseguiu poupar, Edvaldo comprou ao longo da vida duas casas: uma em Pernambuco e a casa onde mora no Jardim Pio XII. Sempre bem empregado, Edvaldo conta que não sabe o que é passar fome ou privações. Para ele a vida foi sempre de fartura. Conseguiu dar profissão a todos os filhos, que também vivem bem. Uma das filhas não se casou e ainda mora com os pais. Esbanjando saúde, Edvaldo quase não vai ao médico. Este ano não foi para Mato Grosso e está em casa descansando ansioso para voltar à labuta no ano que vem.