Moradores do Conjunto Condor reclamam do atendimento de saúde do posto Jd. Paulista
Moradores do Conjunto Condor – localizado na Asa Leste de Campo Mourão – apontam que o maior problema do bairro é a saúde. A população local é atendida pelo posto de saúde do Jardim Paulista, que fica a dois quilômetros dali. As reclamações vão desde a qualidade do atendimento médico até a demora para se conseguir uma consulta, que só é menor que o tempo que leva um exame para ser marcado.
A pensionista Graça Lúcia da Silva, 63, narra o drama de seu irmão que está doente de cama: “Eles dizem que ele não tem nada, que é falta de mulher. Eles não querem mais trabalhar naquele postinho. Precisava que eles atendessem em casa, mas eles não vêm”. Segundo Graça, além de demorar a marcar um exame, os funcionários do posto “consomem” os resultados. “A gente chega lá eles dizem que o resultado não chegou ainda”, lamenta.
Quem também reclama do atendimento é Isolina de Lima Alencar, 73, que diz ter chegado no posto de saúde com a garganta inflamada, diabetes, colesterol e depressão, mas que teve “nada” como diagnóstico. “Faz tempo que eu to doente e não vou mais lá… eu vou lá e fico na mesma”. Além disso, Isolina reclama da segurança pública.
A dona de casa Adelina Grecco, 62, lamenta não ter condições para pagar por consultas e exames particulares. “Eu fui no posto para marcar um eletrocardiograma e já faz cinco meses que estou esperando ou mais. Porque eu era atendida no posto do Tropical e não consegui até mudar para cá. Daí passei pro posto do Paulista e ainda não conseguiram marcar o eletro para mim”, diz.
Até mesmo quem não utiliza com frequência o posto de saúde sabe do descontentamento da população nessa área. É o caso da cabeleireira Zenilda Severina da Costa, 39, que acredita que a unidade precisa de mais médicos. “Se eu precisar de um ginecologista agora teria que esperar três meses. Minha mãe precisou e tivemos que pagar para ela ser atendida”, relata.
Segundo Zenilda, pagando uma consulta de R$ 150,00 o usuário é tratado com mais dignidade. “Tenho problema de alergia. Passei por oftalmologista pelo posto de saúde que me receitou óculos e não descobriu o problema. Para descobrir que o problema nos meus olhos era alergia tive que pagar uma consulta. Não temos sorte com o SUS”, comenta.
O casal Jaci Gomes Firmino, 48, e Jaime Gonçalves, 54, criticam a demora para se marcar uma consulta. Ela gostaria que os agentes de saúde e o médico da família atendessem em casa quem não pode ir até o posto, como é o caso de sua mãe. Ele já pensou em aderir ao serviço de saúde privado porque a esposa aguarda há mais de um mês por uma consulta.
O pintor Rodrigo Leandro de Oliveira, 28, mora há dez anos no bairro e está cansado de ter que atravessar a cidade para utilizar o Posto 24 horas. Para ele, deveria haver o pronto atendimento na Asa Leste. “Minha filha outro dia estava com dor de garganta e como no posto do Paulista eles não atendem menor de 13 anos à noite tive que passar pela cidade toda, embaixo de chuva, para ela ser atendida no 24 horas”, conta.