Microempreendedora de C. Mourão é a 3ª colocada em prêmio nacional
Depois de vencer a etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na categoria Microempreendedora Individual, a mourãoense Raquel Aparecida da Cruz representou o Paraná na disputa da etapa nacional e ficou em terceiro lugar (Troféu Bronze). O anuncio da classificação final e premiação aconteceu nesta terça-feira (25/2), em Brasília. Esta foi a sétima edição da promoção que visa reconhecer, divulgar e premiar histórias de empreendedorismo feminino. O Sebrae divulgou a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que aponta que, no Brasil, mais da metade dos novos empreendedores – com menos de três anos e meio de atividade – são mulheres.
O anúncio das vencedoras da etapa estadual aconteceu durante a realização da 23ª Convenção Anual da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), em Curitiba. Outras duas empreendedoras também da região Noroeste do Estado foram premiadas: Francisca Nunes Alves – categoria Produtora Rural (de Araruna) e Lucienne de Souza – categoria Pequenos Negócios (de Floresta).
A promoção recebeu cerca de 400 inscrições no Paraná. Porém, 224 cumpriram todas as etapas exigidas. As empresas pré-selecionadas passaram por uma avaliação que se baseou nos Critérios de Excelência em Gestão, desenvolvidos em parceria com a Fundação Nacional de Qualidade (FNQ). A partir da verificação dos dados informados na inscrição, saíram 15 finalistas. Ao todo, 66 mulheres de todo o Brasil ficaram entre as finalistas.
O Prêmio Sebrae Mulher de Negócios é uma parceria do Sebrae Nacional, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil e Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). Para auxiliar na divulgação estadual, o Sebrae/PR conta com o apoio do Conselho Estadual da Mulher Empresária (CEME).
Premiada
Raquel Aparecida da Cruz é uma das poucas mulheres afro-descentes que atuam como palhaça no Brasil. Mas além de se transformar na palhaça “Pipoca”, ela está à frente de uma microempresa individual (MEI) que também desenvolve cursos de artes circenses e maquiagem artística, além de realizar animações e performances em eventos. Ela ainda monta coreografias circenses e ainda desenvolve cenários, figurinos e adereços. Seu mercado de atuação? O Paraná.
A microempreendedora individual Raquel Cruz tem como principal parceira a Associação Sou Arte, de Campo Mourão, mas atende dezenas de outros clientes que confiam no seu potencial e na sua capacidade.
Do choro ao riso… Ao sucesso
Logo que nasceu, em Campo Mourão, no dia 24 de junho de 1975, Raquel Cruz foi levada para doação, pois a mãe biológica não teria condições de cuidar de mais uma criança. Afinal já tinha oito filhos pequenos. Oferecida a um casal que havia perdido a
filha naquela semana, a recém nascida foi recebida de braços abertos.
Assim, começou a história da vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios – Categoria Microempreendedora Individual do Paraná/2013. Aos três anos de idade
foi embora com seus pais para Curitiba em busca de um futuro melhor. Aos oito anos acompanhava a mãe que sempre trabalhou fora para complementar a renda da família.
De todos os lugares em que ela trabalhou, a função que mais a cativou foi ser camareira de um circo: o Circo do palhaço Saca-Rolha. Lógico, o seu ídolo!
“Era muito bacana, mágico! Eu vivia andando de baixo das arquibancadas, no picadeiro de pó de serra batida, rindo das bobeiras do palhaço banguela atrapalhado, de todos os números… eu esperaria a noite toda se fosse preciso só pra ver o Saca-Rolha… foi um período MARAVILHOSO!”, confessa.
Ela cresceu na Capital e os problemas começaram a surgira com a separação dos pais. Sem condições de se manter sozinha, a mãe optou por voltar para Campo Mourão, onde tinha duas filhas mais velhas casadas. Logo as contas começaram a chegar e Raquel de Souza sentiu que precisava ajudar. “Tive que abandonar os sonhos de criança e colocar o pé na estrada, trabalhar para ajudar em casa! Fui fazer o que aparecia… trabalhei como cortadora de cana, diarista, babá, zeladora e cozinheira”, releva a microempreendedora.
Enquanto trabalhava como cozinheira no período da tarde e noite, aproveitou para usar o tempo vago para retomar o antigo sonho fazer “arte” e foi ser voluntária no projeto “Amigos da Escola”, onde ensinava às crianças tudo que eu lembrava do circo.
Em 1989, por intermédio da diretora da escola onde atuava como voluntária, conheceu o Centro de Criatividade de Campo Mourão. A partir daí, começou a fazer todos os cursos que apareciam: artes plásticas, escultura, dança, teatro, etc. “Comecei a perceber que meu sonho era possível, que havia pessoas que viviam da arte”, relembra.
Um ano depois tomou coragem e se desligou da empresa onde era auxiliar de cozinha para se dedicar integralmente à realização do seu sonho. Também passou em concurso público do Município para atuar como maquiladora teatral, mas extrapolava em suas funções e passou a fazer operação de som e luz. Mais tarde começou a dar aulas de circo. Mas ela queria mais!
Em contato com Edilane Maria de Castro, que sempre a incentivou na Fundação Cultural do Município e que havia se transformado em empresária no ramo
da cultura (proprietária da Cia Sou Arte), Raquel da Cruz identificou a oportunidade de se firmar como artista. Afinal, havia acumulado grande experiência, era polivalente, um diferencial que garantiria destaque no mercado.
Foi então que ela montou sua empresa (MEI) e começou a prestar serviço para a Cia Sou Arte, formando uma turma de circo com 15 adolescentes. Foi o seu primeiro empreendimento. “Pude inovar algo que já via há algum tempo no mercado: animação de festas. Mas além de fazer graça e promover o entretenimento das crianças e adultos como a palhaça Pipoca, promovo o momento cultura nas festas que animo: contanto histórias com um objetivo (uma “moral”), que ajuda as crianças a refletirem suas ações”, explica.
Mas a abertura da empresa resultou em desafios. A nova empresária teve que aprender alguns controles que até então não faziam parte da sua vida, como o financeiro. Afinal, antes tinha salário. Então aprendeu a fazer o provisionamento de despesas, buscar novos clientes (fazer e atualizar o cadastro indispensável para novos contatos), relatórios de produtividade (para entregar às Prefeituras contratantes), etc.
Ela mede a satisfação dos seus clientes pelo feedback que estabelece logo após o trabalho e quando o cliente a contrata para mais serviços. Sempre que há qualquer reclamação, busca tratar pessoalmente.
Atualmente, Raquel de Souza atende três município – Mandaguari, Mandaguaçu e Campo Mourão – como instrutora de circo. S são aproximadamente 500 crianças. Alguns de seus ex-alunos empreenderam voos mais altos. Um deles, Fabiano, também abriu sua empresa (MEI) e foi aceito como bolsista da Escola Nacional de Circo (RJ), se apresenta em todo o Brasil. Marcelo Júnior é outro que constitui sua empresa, foi para Curitiba e ,além de atuar, produz peças de nível internacional.