Mexendo na Bolsa: Você gosta do que vê no espelho?
Mexendo na Bolsa já foi blog, onde seis mulheres despejavam seus conteúdos a fim de compartilhar o tão fantástico e peculiar universo feminino. Aqui e agora é coluna! Duas vezes por semana você pode abrir o zíper e se sentir à vontade para vasculhar nossas bolsas. Falaremos de amor, do não-amor e de um possível amor. Também vamos nos deliciar narrando nossas pitorescas aventuras de mulheres de quase 30. Amantes do sexo masculino, destinaremos a eles um tanto de nossos versos (com ou sem rima) e de nossas prosas. Além disso, aqui você vai encontrar tudo o que tem na bolsa de uma mulher: bilhetes, creme, maquiagem, dinheiro (no começo do mês), escova de dente, perfume, kit de primeiros socorros, documentos, celular, chaves (do carro, da casa, do quarto, do coração), absorvente. Intimidades. Pode mexer!
Você gosta do que vê no espelho?
Apenas 8% das mulheres estão satisfeitas, garante pesquisa. Para psicólogo, isso acontece porque vivemos numa sociedade de imagem
Quem é que está satisfeita com o corpo? Certamente, não as mulheres. Uma pesquisa divulgada pela rede de tratamentos Onodera, que avaliou 3.500 mulheres com idades entre 18 e 60 anos, de todas as regiões do Brasil e das classes A, B e C, mostrou que apenas 8% das mulheres estão totalmente satisfeitas. Isso porque sempre tem alguma coisinha aqui ou ali (ou no corpo inteiro!!!) que incomoda. Os maiores vilões, especifica a pesquisa, são o peso e o aspecto da barriga. A tendência é que, com esse resultado, cada vez mais seja aumentado o consumo dos produtos e serviços de beleza.
Ao se olharem no espelho, 21% das entrevistadas se disseram insatisfeitas com o corpo, contra os 8% das totalmente satisfeitas. 71% estão realizadas em partes com a aparência. As reclamações são geralmente as mesmas: insatisfação com a barriga (69%), seios (46%), bunda (26%) e peso (53%). As preocupações com celulites, estrias, flacidez e sinais do tempo também foram citadas na pesquisa.
A preocupação não é tão à toa. Quase metade da população brasileira (46,6%) sofre com o excesso de peso e problemas decorrentes dele, garante outra pesquisa, desenvolvida pelo Ministério da Saúde e divulgada no ano passado. Mais, 13,9% da população brasileira é obesa e a maior concentração está entre as mulheres: 14%, garante a pesquisa. Os índices são preocupantes, especialmente porque sobe a cada ano. Quando o levantamento Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) começou a ser feito, no ano de 2006, apenas 11,5% das mulheres sofria com a obesidade. Nos quatro anos em que a pesquisa foi desenvolvida, o número subiu 22%.
A preocupação, contudo, não é com as doenças decorrentes do excesso de peso, mas com o fator estética. Isso porque vivemos numa sociedade onde o mais importante é a imagem. O psicólogo Fabrício Rodrigues de Moura (CRP08/13225) acredita que esse modelo de sociedade baseia-se na valorização das coisas materiais em detrimento das intelectuais. “Investe-se maciçamente em marketing, publicidade e propaganda como forma de atrair os consumidores. Diversas estratégias são utilizadas para vender os produtos: associá-los à saúde, ao bem-estar, ao poder, à felicidade e também à imagem corporal”, justifica. Ele percebe, também, que quanto mais se aproxima desses conceitos, mais se afasta do empobrecimento artístico, cultural e intelectual. “Desse modo, as pessoas, vazias de conteúdo, precisam preencher de sentido a vida. Precisam demonstrar que têm algum valor. Ser bem estudado, concluir uma pós-graduação, por exemplo, se torna menos importante que ter um belo corpo”, comenta.
Para ele, uma mudança só é possível com uma consciência social de que ela é necessária. Além disso, Moura acredita que seja necessário questionar os padrões de beleza e ser contra àquilo que nos é imposto. “Como buscarmos valores que nos permitam alcançar formas diferentes de felicidade que não as relacionadas à imagem”, pontua. Isso porque, tanto quanto o excesso de peso, o baixo peso também acarreta em problemas de saúde, como a bulimia e anorexia. “Nos dois casos a pessoa acredita sempre estar acima do peso e buscam o emagrecimento extremo”, explica o psicólogo. Outra doença, porém não tão conhecida, é a “vigorexia”, relacionada com a compulsão por exercícios físicos em busca de um corpo cada vez mais torneado por músculos. “Tais doenças podem estar relacionadas ou ter como complicações a falta de libido, descalcificação, anemia, depressão e tendências suicidas. Em alguns casos levam à morte, ou insuficiência do organismo ou pelo suicídio”, garante Moura. E os distúrbios de imagem, como essas doenças são conhecidas, afetam muito mais pessoas do que se imagina. Ou você não conhece ninguém que se veja, no espelho, bem maior do que realmente é? É necessário inverter os padrões de beleza e entender que ser bonito, na verdade, é ser saudável.
Entenda
Para definir se há excesso de peso, o método mais utilizado é o Índice de Massa Corporal (IMC), fácil de ser calculado. Basta que divida o peso, em quilos, pela altura ao quadrado,em metros. Veja:
PESO (kg) /ALTURA² (metros)
Assim, uma pessoa de1,70 metros que pesa90 kg tem o IMC de 31,14 KG/m². A classificação do IMC é:
Baixo peso = IMC menor que 18,5 Kg/m2
Peso normal = IMC entre 18,5 e 24,9 Kg/m2
Sobrepeso = IMC entre 25 e 29,9 Kg/m2
Obesidade grau I = IMC entre 30 e 35 Kg/m2
Obesidade grau II = IMC entre 36 e 39,9 Kg/m2
Obesidade Mórbida = IMC maior que 40 Kg/m2
E você, está satisfeita com seu corpo? Calculou seu IMC, o que ele te diz? Você está preocupada com o que vê no espelho ou com sua saúde?
Paula Fernandes não é cantora, é jornalista. Com diploma e tudo. Até canta, às vezes, no chuveiro, mas esse não é o seu forte. Gosta mais do mundo das letras escritas. Aos seus olhos têm mais música que as palavras cantadas. Adora dar opinião e morre de medo de ser mal interpretada. Até tem lá seus preconceitos, que esconde no meio da bagunça embaixo da cama, mas luta contra todos eles. Acredita que o mundo é grande demais para ideias pequenas. Por isso sonha alto, lá em cima. Corre atrás, porque ainda não aprendeu a voar. Indecisa, acha que é o mal do seu signo, capricórnio. Tem, embaixo dos caracóis dos seus cabelos, um emaranhado de dúvidas e certezas indefinidas. Que ainda podem trocar de lugar. Como seu estado civil: atualmente, enrolada. Porque ama, ama muito, ama demais. E ama fácil, sem nem escolher. Basta um sorriso bonito, um olhar mais atencioso… É claro que tem suas preferências, como o excesso de melanina, mas esse não é um fator preponderante. Contudo, sempre acha que recebe pouco. Talvez pela carência crônica de que sofre, não sei bem. Só a conhecendo melhor para saber. Quer paulear? http://paulassis.blogspot.com
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