Mexendo na Bolsa: Pegar à força

O Mexendo na Bolsa é um espaço de discussão sobre o universo feminino, que vai desde o batom até a orientação sexual, do blush às dúvidas existências, do rímel à dor de um amor, da crise em frente ao espelho à luta pelos direitos sexuais. É um site de mulheres e para mulheres, mas os homens também podem mexer: http://www.mexendonabolsa.com.br

Pegar à força
Puxões de cabelo, apertões no braço ou em outras partes não concedidas. Até quando as mulheres vão ter que conviver com esse tipo de violência?

O vídeo (assista) em que Rhanna, 19 anos, é violentada ficou famoso na internet. Ela estava numa boate com os amigos, quando um cara começou a abordá-la.  Depois que levou um fora, o homem a golpeou tão violentamente que ela teve o braço quebrado. O caso virou matéria no Fantástico (leia).

Durante a reportagem, Rhanna contou que o rapaz começou puxando o braço dela, ela pediu para que ele se afastasse. “Ele começa a dar em cima, tenta me beijar. É quando eu começo a me irritar, porque ele já está pegando no meu pescoço. Eu falo o tempo todo: ‘me solte, me solte’. Joguei refrigerante nele e na mesma hora ele me deu um golpe. Deu pra sentir a dor na hora”.

A noite que era para ser divertida terminou com dois ossos do antebraço partidos no meio.  Rhanna teve que fazer cirurgia e implantou duas placas de titânio. O agressor saiu da boate sem prestar ajuda. O nome dele é Rômulo do Nascimento, 28 anos. E não é a primeira vez que ele violenta mulheres, já carrega consigo uma ação na Justiça por violência doméstica movida por sua ex-companheira.

A versão dele para o que ocorreu com Rhanna é diferente. “Ela veio se direcionando para mim, segurou. Eu tentei retirar o braço dela, porque ela jogou a bebida na minha cara, segurando minha gola. E, em seguida, eu achei que ela iria jogar o copo em mim. Numa ação instintiva, automaticamente, eu retirei o braço dela. Ela provavelmente deve ter ido escorregar pelo fato de a bebida ter caído no chão, e obviamente deve ter quebrado o braço no chão”. Quebrou o braço no chão…

O problema maior é que existem vários Rômulos por aí. Como aconteceu com Danielle (veja) , em Belo Horizonte (MG). A situação é parecida, o cara a aborda numa festa, ela não quer, ele insiste. Então ele a puxa e mete a mão na bunda dela, ela diz que vai chamar o segurança. Daí o agressor a chama de lésbica, puxa-a para junto dele e coloca a mão debaixo do vestido e a toca. Na hora ela ficou sem reação, mas depois procurou o segurança, o dono da cada noturna. Ninguém a escutou.

É comum não darem atenções para casos como esses. E, geralmente, a culpa é da mulher, porque ela estava na noite, porque ela estava se divertindo, porque ela estava com uma roupa mais provocante, porque isso e aquilo. Eu acho que há uma confusão grande – e sem sentido – entre liberdade e libertinagem. A mulher, hoje, é mais livre, o que não significa que ela está disponível a todo o momento e para qualquer um.

João Paulo da Silva, 29 anos, concorda. Ele acha que essa confusão é típica por parte dos homens. ”Virou um vale tudo danado e as mulheres, infelizmente, estão pagando o preço”, avalia. Ele diz que não concorda com nenhum tipo de violência e fala sobre a falta de conversa entre homens e mulheres da nova geração.

“Vivemos em um período em que o não é ‘incomum’ e causa as mais diversas reações. Não tem justificativa para qualquer tipo de agressão. Quando eu era adolescente, eu e a maioria dos amigos meus, inclusive os mais pegadores, para ficar com uma menina tínhamos trabalho. Muita conversa, aquela coisa de falar com um amigo ou amiga para fica com quem se desejava, aquele respeito todo. Essa nova geração, já é uma outra cultura, o adolescente que nasceu na década de 90, não conversa, chega e beija”.

Segundo o Fantástico, as mulheres afirmam que os homens estão mais ousados e violentos. O que você pensa a respeito? Já tentaram beijá-la à força? Essa nova geração está mais propensa a ser violenta ou isso é algo passado de geração para geração?

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Larissa Bortolli é jornalista graduada. Vê no jornalismo a oportunidade de transformar realidades, mesmo que, por vezes, essa transformação seja mínima. Tem mania de anotar tudo e é dos rabiscos que saem seus textos. O mais recente é Um Olhar Sobre a Aids, o livro-reportagem escrito com mais duas jornalistas. É viciada em mídias sociais e no seu sobrinho. Ama ser chamada de tia, nome comum, que soa para ela como adjetivo. Não sabe dançar, esperar e amar. Só tem uma certeza na vida: não ter certeza. Daí divaga, no Lapsos On-Line e no Jornalirismo. E no twitter também: @larissabortolli.

 
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