Mexendo na Bolsa: O que você mais admira numa criança?
Mexendo na Bolsa já foi blog, onde seis mulheres despejavam seus conteúdos a fim de compartilhar o tão fantástico e peculiar universo feminino. Aqui e agora é coluna! Duas vezes por semana você pode abrir o zíper e se sentir à vontade para vasculhar nossas bolsas. Falaremos de amor, do não-amor e de um possível amor. Também vamos nos deliciar narrando nossas pitorescas aventuras de mulheres de quase 30. Amantes do sexo masculino, destinaremos a eles um tanto de nossos versos (com ou sem rima) e de nossas prosas. Além disso, aqui você vai encontrar tudo o que tem na bolsa de uma mulher: bilhetes, creme, maquiagem, dinheiro (no começo do mês), escova de dente, perfume, kit de primeiros socorros, documentos, celular, chaves (do carro, da casa, do quarto, do coração), absorvente. Intimidades. Pode mexer!
O que você mais admira numa criança?
Eu me surpreendo com o meu sobrinho, todos os dias. Ele tem quatro anos, ainda não ultrapassou a altura das minhas pernas, mas, para mim, já é um gigante, capaz de me arrancar risos nos momentos mais cinzas ou mesmo me afagar sem nem mesmo se aproximar. Ele transforma a gente só com um olhar. Olhar simultaneamete malandro, ingênuo e sábio.
Viver com ele sob o mesmo teto é extraordinário. O mundo dele é tão mágico que me pergunto quando é que nós, adultos, deixamos de ser tão cativantes. Quando?
Tá, você vai me lembrar que é necessário ultrapassar a barreira da infância e seguir para adolescência, depois amadurer. É o ciclo natural da vida. Concordo. Mas, sabe, eu conservaria, caso eu pudesse, a felicidade espontânea e a sinceridade aguda com as quais as crianças encaram a vida. É o segredo deles, que a gente só se dá conta quando crescemos.
E você, o que mais admira numa criança? O que lhe dá mais saudade da infância?
– Vamos tiaaaaaa.
– Calma, Enzo. Estou me arrumando, já vamos tomar sorvete.
– Você não plecisa se arrumar não…
– Preciso sim.
– Se voxê se arrumar os calas vão querer te beijaaaaaa.
Risos.
– Mas é esse mesmo o objetivo.
– Aaaaaah, mas não pode.
– Ué, eu não posso namorar?
– Não, não pode não.
– Ahhh Enzo, deixa eu namorar?!!
– Tá. Você pode namolar o meu pai*.
*O pai dele é meu irmão.
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Larissa Bortolli é jornalista. É metade feminista e outra metade também, embora às vezes seja machista. Evita os ‘istas’, mas nem sempre se livra deles. Nada boa com relacionamentos, diz-se sozinha por opção (dos homens). É viciada em Doritos, filmes, mídias sociais e no seu sobrinho. Adora um drama, tanto na ficção quanto na vida real. Às vezes sente um aperto, sem motivo, no peito. Só tem uma certeza na vida: não ter certeza. Daí divaga. Sem grandes pretensões quer dominar o mundo, o seu mundo. Quando dá vontade também escreve aqui: http://lapsosonline.blogspot.com/
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