Mexendo na Bolsa: O machismo no século 21
Mexendo na Bolsa já foi blog, onde seis mulheres despejavam seus conteúdos a fim de compartilhar o tão fantástico e peculiar universo feminino. Aqui e agora é coluna! Duas vezes por semana você pode abrir o zíper e se sentir à vontade para vasculhar nossas bolsas. Falaremos de amor, do não-amor e de um possível amor. Também vamos nos deliciar narrando nossas pitorescas aventuras de mulheres de quase 30. Amantes do sexo masculino, destinaremos a eles um tanto de nossos versos (com ou sem rima) e de nossas prosas. Além disso, aqui você vai encontrar tudo o que tem na bolsa de uma mulher: bilhetes, creme, maquiagem, dinheiro (no começo do mês), escova de dente, perfume, kit de primeiros socorros, documentos, celular, chaves (do carro, da casa, do quarto, do coração), absorvente. Intimidades. Pode mexer!
O machismo no século 21
Depois de tanto tempo, ainda é preciso queimar os sutiãs?
Na terça-feira, 13, o Sesc de Campo Mourão recebeu, como parte da Semana Literária, os escritores Fabrício Carpinejar e Alice Ruiz, para trabalhar a temática Literatura e Sedução. À certa altura do encontro, Alice comentava sobre sua militância feminista, especialmente durante a ditadura, e colocou uma questão em xeque: enquanto o feminismo existe para defender a mulher, o machismo existe para atacá-la. Carpinejar discordou. O machismo, disse, protege o homem. Para ele, o novo ‘macho’ precisa, sim, saber lavar, passar, cozinhar, cuidar da família e filhos e ser delicado com sua parceira. Será?
A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) recebeu, de abril de2006 ajunho deste ano, quase dois milhões de atendimentos. Destes, aproximadamente 435 mil se referiam a pedidos de informações sobre a Lei Maria da Penha. O número corresponde a cerca de 22,3% do total das ligações.
A Lei “cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências”, diz, em sua introdução. Os números não deixam dúvidas: as mulheres ainda sofrem violência de seus parceiros, muito disso em função do machismo presente na nossa sociedade. Os dados do gráfico são relativos às ligações recebidas pelo Ligue 180. Para a historiadora Rosemeri Moreira, o machismo no século 21 é muito frequente. “E tão cristalizado que a maior parte das pessoas nem percebe”, acredita. “A maior parte dos homicídios de mulheres é feito pelos parceiros ou ex-parceiros, pois é um tipo de violência relacionada à ideia de perda de autoridade ou propriedade sobre ela por parte dos homens”, pontua.
Entre as mulheres que procuram o Ligue 180, há um perfil definido: 46% é parda, 64% tem entre 20 e 40 anos, 46% freqüentou parte ou todo o ensino fundamental e, um dos números mais chocantes, 40% delas vive com o agressor há mais de dez anos. Em 72% dos casos, o agressor é cônjuge da vítima.
De acordo com a Fundação Perseu Abramo, 8% dos homens admitem já terem batido “em uma mulher ou namorada” e 25% têm conhecimento de agressão realizada por um “parente próximo”. Aproximadamente metade, 48% dos homens sabem de casos de “amigo ou conhecido que bateu ou costuma bater na mulher”. Dos 8% que se admitem agressores, 14% acreditam terem agido bem e 15% garantem: fariam novamente. Enquanto apenas 8% dos homens se dizem agressores, uma em cada cinco mulheres já “sofreu algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido”. O número corresponde a 18% da população do País.
Os números correspondem apenas ao machismo que agride as mulheres. Também há dados que demonstram que nós ainda somos subjugadas, além de questões salariais e empregatícias, entre outros.
Ideal seria o mundo onde os homens pensassem – e agissem – como Carpinejar acredita. Onde a sensibilidade masculina fosse aflorada e as mulheres pudessem disputar no mesmo páreo.
E você, acredita que o machismo está perto do fim?
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Paula Fernandes não é cantora, é jornalista. Com diploma e tudo. Adora dar opinião e morre de medo de ser mal interpretada. Até tem lá seus preconceitos, que esconde no meio da bagunça embaixo da cama, mas luta contra todos eles. Acredita que o mundo é grande demais para ideias pequenas. Por isso sonha alto, lá em cima. Tem, embaixo dos caracóis dos seus cabelos, um emaranhado de dúvidas e certezas indefinidas. Que ainda podem trocar de lugar. Como seu estado civil: atualmente, enrolada. Porque ama, ama muito, ama demais. E ama fácil, sem nem escolher. Basta um sorriso bonito, um olhar mais atencioso… Contudo, sempre acha que recebe pouco. Talvez pela carência crônica de que sofre, não sabe bem. Quer paulear? http://paulassis.blogspot.com
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