Mexendo na Bolsa: Fama. A qualquer custo

Mexendo na Bolsa já foi blog, onde seis mulheres despejavam seus conteúdos a fim de compartilhar o tão fantástico e peculiar universo feminino. Aqui e agora é coluna! Duas vezes por semana você pode abrir o zíper e se sentir à vontade para vasculhar nossas bolsas. Falaremos de amor, do não-amor e de um possível amor. Também vamos nos deliciar narrando nossas pitorescas aventuras de mulheres de quase 30. Amantes do sexo masculino, destinaremos a eles um tanto de nossos versos (com ou sem rima) e de nossas prosas. Além disso, aqui você vai encontrar tudo o que tem na bolsa de uma mulher: bilhetes, creme, maquiagem, dinheiro (no começo do mês), escova de dente, perfume, kit de primeiros socorros, documentos, celular, chaves (do carro, da casa, do quarto, do coração), absorvente. Intimidades. Pode mexer!
Fama. A qualquer custo
Vivemos numa sociedade de imagem, já disse o psicólogo Fabrício Rodrigues de Moura (CRP08/13225) aqui. Tanto que, para fazer sucesso, basta aparecer. “Ao mesmo tempo em que isso ocorre, percebemos um distanciamento e empobrecimento artístico, cultural e intelectual da população. A televisão investe em programas de entretenimento com pouco ou nenhum conteúdo, as leituras se tornam cada vez menos frequentes e os movimentos artísticos não são valorizados”, justifica Moura. E não é necessário ter nenhum talento aparente. É só ser global. Preferencialmente, global. “As pessoas, vazias de conteúdo, precisam preencher de sentido a vida. Precisam demonstrar que têm algum valor. Ser bem estudado, concluir uma pós-graduação, por exemplo, torna-se menos importante que ter um belo corpo. Nossos ‘heróis’ BBB, sarados, esbeltos e sensuais, são mais valorizados e contemplados do que nossos ‘heróis’ cientistas, que descobrem curas de doenças ou que produzem riquezas artísticas”, completa o psicólogo.

Mas por que damos espaços para esses ‘artistas’ que nada ou muito pouco têm a oferecer? Para o jornalista e mestrando em Letras, Leandro Tafuri, as pessoas assistem a realities shows porque se projetam no lugar do pseudofamoso, como muitos chamam os famosos de emergência, que surgem do nada e, muitas vezes, para nada, como os sucessos da internet, de escândalos ou até mesmo de realities shows. “Além disso, as pessoas se sentem juízas, com o poder de decidir o ‘futuro’ das outras”, explica o jornalista.

A efemeridade da fama

“Você é conhecido, mas não reconhecido”, acredita Tafuri. É o que acontece com frequência, quando se sabe que é famoso mas não quem realmente é. O ‘famoso quem’, como cita o jornalista. “O público conhece a pessoa por conhecer, sabe que a já viu em algum lugar”. E a excitação é tanta porque reflete, muitas vezes, o desejo de estar no lugar ou até mesmo ser esse pseudofamoso. “Todos nós, de certa forma, desejamos ser reconhecidos como isso ou aquilo. E a TV nos oferece um falso mundo de fascínios e espetáculos. É hipnotizante e dá a falsa impressão de felicidade”, pontua Tafuri.

E, uma vez famoso, ou pseudofamoso, é preciso saber como se manter com audiência. Alguns penam com isso, mas também há resultados. Bons e ruins, depende de cada caso. E de quem vê, claro.

Tanto que duas ex-BBB, Fani Pacheco e Priscila Pires, estrearam em julho um programa para maiores de 18 anos no canal Multishow, o Malícia. De acordo com a emissora, no programa elas, juntamente com Caren Souza, do reality da própria emissora, o Casa Bonita (“moças bonitas, cenários paradisíacos e gincanas de tirar o fôlego vão fazer da Casa Bonita o lugar onde todo mundo quer morar. São 17 beldades escolhidas por você, confinadas em um reality imperdível e atrás de um mesmo objetivo: ser a dona dos seus sonhos”, descreve a emissora sobre o programa), interpretam mulheres que “metem o pé na estrada e viajam sem destino”. No Malícia, as três se aventuram pelas estradas ao conseguirem tudo o que querem com “um show de sensualidade com strip, danças eróticas e outras performances”. Tudo bem, eu nunca tinha visto o programa, nem sabia da existência dele, até ontem. Mas, ao ver o vídeo da Fani ‘se curtindo’ num strip tease para si mesma, no banheiro (a foto ao lado é uma das cenas do ‘show’ da ex-BBB), quis entender o objetivo do programa. Nenhum, zero. Nada. Para a emissora, é só a interpretação de três mulheres que querem se divertir. Em todos os vídeos que assisti, Priscila e Fani, as estrelas-mor (ex-globais, beibes) do programa, encenam danças que se perdem entre o sensual e o pornô. É a realização dos sonhos eróticos de muitos homens, com o intenção explícita de povoar o imaginário masculino e… Só! Na maior parte das vezes, seios pulam dos decotes ou aparecem cobertos por figuras de papel laminado ou pinturas. Ou, como no caso desse vídeo específico, uma pedra. “Meu deusinho do céu, eu sou uma pessoa boa, eu não faço mal a ninguém, eu só quero cantar e dançar para todo mundo. Ficar feliz e dar alegria para as pessoas”, justifica Fani, antes de começar a se exibir para as câmeras, enquanto risca o espelho com batom.

O programa é recente e sinceramente não sei quanto tem de audiência. A mim, parece mais uma das intenções dos pseudofamosos de se manterem na mídia. Mesmo que não mais a mídia de primeira linha. Ou, como lembra o jornalista Tafuri, parafraseando o apresentador Faustão: “um dia os ‘artistas’ vão estar na plateia e o público no palco, porque teremos mais famosos que público”. Quem quiser ver o vídeo, basta clicar aqui. Para mim, não é nada sensual. Tampouco chega a ser pornô. Na minha opinião, é ridículo.

PS: Tá mexendo aqui? Mexe lá também: http://www.facebook.com/mexendonabolsa
___________________________________________________________________________
Paula Fernandes não é cantora, é jornalista. Com diploma e tudo. Adora dar opinião e morre de medo de ser mal interpretada. Até tem lá seus preconceitos, que esconde no meio da bagunça embaixo da cama, mas luta contra todos eles. Acredita que o mundo é grande demais para ideias pequenas. Por isso sonha alto, lá em cima. Tem, embaixo dos caracóis dos seus cabelos, um emaranhado de dúvidas e certezas indefinidas. Que ainda podem trocar de lugar. Como seu estado civil: atualmente, enrolada. Porque ama, ama muito, ama demais. E ama fácil, sem nem escolher. Basta um sorriso bonito, um olhar mais atencioso… Contudo, sempre acha que recebe pouco. Talvez pela carência crônica de que sofre, não sabe bem. Quer paulear? http://paulassis.blogspot.com
Clique e leia as colunas anteriores