Mexendo na Bolsa: Eu, o banheiro e as dificuldades de uso

Mexendo na Bolsa já foi blog, onde seis mulheres despejavam seus conteúdos a fim de compartilhar o tão fantástico e peculiar universo feminino. Aqui e agora é coluna! Duas vezes por semana você pode abrir o zíper e se sentir à vontade para vasculhar nossas bolsas. Falaremos de amor, do não-amor e de um possível amor. Também vamos nos deliciar narrando nossas pitorescas aventuras de mulheres de quase 30. Amantes do sexo masculino, destinaremos a eles um tanto de nossos versos (com ou sem rima) e de nossas prosas. Além disso, aqui você vai encontrar tudo o que tem na bolsa de uma mulher: bilhetes, creme, maquiagem, dinheiro (no começo do mês), escova de dente, perfume, kit de primeiros socorros, documentos, celular, chaves (do carro, da casa, do quarto, do coração), absorvente. Intimidades. Pode mexer!
Eu, o banheiro e as dificuldades de uso
Desde sempre tive problemas com banheiros. Sejam públicos ou privados, tenho muita dificuldade em enfrentá-los. Então sou apenas eu. Ao todo, 15% dos brasileiros sofrem desse “probleminha”. Isso significa que uma pessoa em cada sete não consegue ir ao banheiro com facilidade. Somos cerca de 30 milhões. Desses, 75% são mulheres. E pouquíssimas vezes se tratam de problemas biológicos, garantem especialistas.

Alguns pesquisadores acreditam que as mulheres sofram desse mal porque, desde a infância, são obrigadas a esconderem suas ‘vergonhas’. Enquanto é bonitinho o filhinho que puxa e estica o ‘pipi’ de um lado para o outro, para todo mundo ver, uma garotinha coçar suas partes íntimas é vergonhoso, feio, reprimível. “Tira a mão daí”, grita a mãe, de onde estiver. O moleque, não. Os pais mostram orgulhosos o filho que exibe sua virilidade, na maioria dos casos.

Sim, sexualidade é tabu, e dos ferrenhos. E essa opressão de algo natural pode causar distúrbios enormes. Como, no meu caso, a prisão de ventre. É claro que uma alimentação adequada, com muita fibra e muita água, convence meu intestino de que ele pode, sim, ter um funcionamento normal. Mas é só sair da minha área de controle (leia-se minha casa) que ele decide emperrar. Travar. Parar. Já tive dores de cabeça, febre e até mesmo tontura em crises fortes. Resolvo o problema momentaneamente e, quando penso que sou novamente uma pessoa feliz, ele mostra que o controle é dele. E, convenhamos, ele é bem descompensado. Tinha um amigo, na faculdade, que namorava uma colega de casa que me via indo em direção ao banheiro e gritava, sem pensar duas vezes: ‘vai ao banheiro, Paula?’ ‘Ia’, respondia, sempre. Só de ouvir isso o meu intestino travava, e ele se divertia com isso. A situação é até engraçada, confesso, mas o sofrimento é grande demais.

E você, sofre desse mal? Acredita que pode ter relação com a opressão sexual que sofremos desde a infância ou acha que é exagero feminista? Consegue resolver o problema? Como?

Paula Fernandes não é cantora, é jornalista. Com diploma e tudo. Até canta, às vezes, no chuveiro, mas esse não é o seu forte. Gosta mais do mundo das letras escritas. Aos seus olhos têm mais música que as palavras cantadas. Adora dar opinião e morre de medo de ser mal interpretada. Até tem lá seus preconceitos, que esconde no meio da bagunça embaixo da cama, mas luta contra todos eles. Acredita que o mundo é grande demais para ideias pequenas. Por isso sonha alto, lá em cima. Corre atrás, porque ainda não aprendeu a voar. Indecisa, acha que é o mal do seu signo, capricórnio. Tem, embaixo dos caracóis dos seus cabelos, um emaranhado de dúvidas e certezas indefinidas. Que ainda podem trocar de lugar. Como seu estado civil: atualmente, enrolada. Porque ama, ama muito, ama demais. E ama fácil, sem nem escolher. Basta um sorriso bonito, um olhar mais atencioso… É claro que tem suas preferências, como o excesso de melanina, mas esse não é um fator preponderante. Contudo, sempre acha que recebe pouco. Talvez pela carência crônica de que sofre, não sei bem. Só a conhecendo melhor para saber. Quer paulear? http://paulassis.blogspot.com
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