Mexendo na Bolsa: À procura (sem necessariamente querer encontrar)

Mexendo na Bolsa já foi blog, onde seis mulheres despejavam seus conteúdos a fim de compartilhar o tão fantástico e peculiar universo feminino. Aqui e agora é coluna! Duas vezes por semana você pode abrir o zíper e se sentir à vontade para vasculhar nossas bolsas. Falaremos de amor, do não-amor e de um possível amor. Também vamos nos deliciar narrando nossas pitorescas aventuras de mulheres de quase 30. Amantes do sexo masculino, destinaremos a eles um tanto de nossos versos (com ou sem rima) e de nossas prosas. Além disso, aqui você vai encontrar tudo o que tem na bolsa de uma mulher: bilhetes, creme, maquiagem, dinheiro (no começo do mês), escova de dente, perfume, kit de primeiros socorros, documentos, celular, chaves (do carro, da casa, do quarto, do coração), absorvente. Intimidades. Pode mexer!
À procura (sem necessariamente querer encontrar)
É melhor ter uma pessoa especial ou deixar a fila andar – e andar!

Homem e mulher estão sempre à procura do par. É o que garantia um professor da graduação. Ele até desenvolveu uma tese – sem comprovação científica, mas com base na observação de anos – que garantia que, sim, o ser humano não nasceu para não ter companheiro. Contudo, como o liberalismo sexual está cada vez mais explícito, tanto homens quanto mulheres decidiram que podem – e devem – testar bem os produtos antes de encontrar o escolhido. O ‘ficar’ é cada vez mais usual e rotineiro. E já nem é mais com um hoje, outro amanhã e um terceiro depois, mas com um agora, outro daqui a pouquinho, o próximo da fila, por favor! A regra é clara: quanto mais, melhor. Contudo, há aqueles que procuram pessoas ‘especiais’ e têm dificuldade em encontrar. ou então ficam com várias e não se sentem satisfeitas, como se esse comportamento lhes causasse uma espécie de vazio.

Para a psicóloga Samanta Meira Almeida (CRP 08/14584), o importante é a pessoa estar realizada, independente de qual seja a sua escolha. “Acredito que tudo seja uma questão de opção. Hoje as pessoas estão mais abertas a escolherem seu estilo de vida, a querer ou não um relacionamento”, assegura. Isso porque tem se tornado moralmente aceito pela sociedade que prazer não é crime, e que não é preciso estar emocionalmente envolvido com alguém para adquiri-lo. “Muitos querem independência. Nada contra, desde que seja realmente uma opção e não uma fuga para lidar com a frustração de não conseguir um companheiro, o que tem sido muito comum nos consultórios de psicologia”, completa Samanta.

Para ela, uma grande dificuldade de boa parte da população solteira é não saber lidar com a falta de um companheiro. “As pessoas sofrem por não conseguirem se relacionar e optam pelo liberalismo, mas nem todas estão satisfeitas. O amadurecimento tem relação com estar bem consigo mesmo e não precisar de outra pessoa para ser feliz. Encontrar alguém precisa ser para compartilhar a sua felicidade e não fazer com que essa pessoa seja a sua felicidade”, orienta.

Para a estudante Mônica Capoal, o fato de estar terminando a faculdade e ser solteira causa uma situação cômica nos almoços familiares. “Sempre tem uma tia que não te vê faz tempo, ou uma prima que está no segundo filho, que faz aquela pergunta com que todos te olham: e aí, Mônica, namorando? Não. E um não seco, para que o assunto não seja prolongado”, brinca. Ela alega que muitas vezes não entendem porquê está sozinha e às vezes até duvidam que não tenha ninguém interessado nela. “Não tem ou são pessoas vazias”, justifica. Para ela, antes a pergunta era motivo de tormenta, já que acreditava que o problema estava nela. Contudo, ela passou a entender que precisa manter sua autenticidade, mesmo em um relacionamento. “Nos relacionamentos passados eu mudava totalmente para agradar, para chamar a atenção, para querer perto de mim”, define.

A estudante acredita, ainda, que é natural ter carência, o que pode ser confundido com a vontade de encontrar alguém especial. “As pessoas têm medo da solidão, de ficar sozinhas. Eu também tenho receio, mas eu quero alguém que supra as minhas necessidades, alguém que se encaixe comigo na hora de dormir, alguém que me diga que é feliz ao meu lado”, contabiliza. Para ela, isso põe fim à questão. “É por isso que encontrar alguém especial é mil vezes melhor do que se iludir com pessoas vazias de amor”, finaliza.

O parceiro ideal

“Uma das maiores frustrações vivenciadas pela população em termos de relacionamento é justamente essa: sempre estar à espera do parceiro ideal”, garante Samanta. Para a psicóloga, uma pessoa depositar todas as suas angústias e anseios no parceiro acaba desgastando a relação, porque aquilo que deveria ser uma troca passa a ser, então, uma cobrança. “As pessoas procuram no outro o que não encontram nelas mesmas, buscam incansavelmente por alguém que preencha o vazio existencial, que pode ser preenchido por si próprio. Por isso cada um, antes de encontrar alguém especial, deve primeiro se conhecer de verdade, aprender a gostar de si, sentir-se especial e estar disposto a conhecer o outro também. Dessa forma é possível compreender que o que vai existir não é a pessoa perfeita e sim a pessoa que é especial para cada um”, completa Samanta. Afinal, garante ela, um relacionamento deve ser construído por pessoas inteiras, que já estão completas por si só, não para suprir o vazio que exista. “E sim somar, dividir, compartilhar”, justifica.
E quando saber se uma pessoa é especial? A psicóloga explica que toda pessoa é especial, com defeitos e qualidades, o que a faz única. “Dessa forma cada um terá sua forma de ver o mundo e de escolher as pessoas que estarão fazendo parte dele. É aí que a pessoa especial para cada um entra. Não existe alguém ideal, e sim alguém admirável, que as qualidades compensem os defeitos, não necessariamente parecido, mas que tenha afinidades e que, principalmente, esteja disposto a compartilhar a vida”, pontua.

E você, já encontrou seu parceiro ideal? Está à procura ou quer mais é curtir?

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Paula Fernandes não é cantora, é jornalista. Com diploma e tudo. Adora dar opinião e morre de medo de ser mal interpretada. Até tem lá seus preconceitos, que esconde no meio da bagunça embaixo da cama, mas luta contra todos eles. Acredita que o mundo é grande demais para ideias pequenas. Por isso sonha alto, lá em cima. Tem, embaixo dos caracóis dos seus cabelos, um emaranhado de dúvidas e certezas indefinidas. Que ainda podem trocar de lugar. Como seu estado civil: atualmente, enrolada. Porque ama, ama muito, ama demais. E ama fácil, sem nem escolher. Basta um sorriso bonito, um olhar mais atencioso… Contudo, sempre acha que recebe pouco. Talvez pela carência crônica de que sofre, não sabe bem. Quer paulear? http://paulassis.blogspot.com
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