Mexendo na Bolsa: A luta pelos direitos dos homens
O Mexendo na Bolsa é um espaço de discussão sobre o universo feminino, que vai desde o batom até a orientação sexual, do blush às dúvidas existências, do rímel à dor de um amor, da crise em frente ao espelho à luta pelos direitos sexuais. É um site de mulheres e para mulheres, mas os homens também podem mexer: http://www.mexendonabolsa.com.br
A luta pelos direitos dos homens
A justificativa é válida? Queimar cuecas publicamente, como ironiza autor de texto, é mesmo preciso?
Na última semana, o leitor Paolo Oliveira, de Campo Mourão, deu uma sugestão de leitura a nós, do Mexendo na Bolsa, que falava sobre a busca do direito dos homens. No texto, o autor discorre ideias machistas do começo ao fim, mas tem uma aceitação bastante grande de outros homens. E não apenas os que comentaram ali.
Conheço homens que acreditam que as mulheres estão virando ‘ogras’ porque, depois de tanto lutarem por direitos iguais, querem ‘ser’ como homens. Um amigo sempre fala que agora ele é machista porque manda flores, paga a conta do restaurante ou abre a porta do carro. Isso tudo por causa de um texto que publicamos aqui, que falava da confusão que alguns homens fazem entre cavalheirismo e cantadas baratas mesmo.
Voltando ao texto do blog Testosterona, o autor fala em uma busca pelos direitos dos homens, como se as mulheres estivessem conquistado tanto espaço que cercearam o sexo oposto. Para Samilo Takara, jornalista, professor de Comunicação Social, pesquisador em Educação, Comunicação e Cultura e mestrando em Educação na Universidade Estadual de Maringá (UEM), não há um motivo para que os homens lutem por seus direitos. “Para que haja luta, acho necessário que haja um motivo social para isso. Os homens são privilegiados em diversos aspectos e castigados por outros. São obrigados a não chorarem e nem demonstrarem sentimentos a despeito de serem feminilizados. A ofensa feita aos homens é duvidar de sua sexualidade”, explica o pesquisador. Em suma, homem feminino é pejorativo, como cita Takara. “Ou se é homem, ou se é ‘mulherzinha’”. No texto discutido, do Testosterona, isso fica muito claro quando o autor fala que já encontrou um “amigo colando recortes no livro de receitas. Pedindo silêncio pra escutar, com clareza, a propaganda do novo sabão em pó ultra-mega-multi-cores e dizendo a mulher qual é o bico da mamadeira certo para dar o leite à criança. Ela na cerveja, ele na caipirinha. Ela no jogo, ele na Ana Maria”.
Entretanto, não há uma perda de espaço do homem para que haja uma luta social ‘contra’ as mulheres. Mesmo porque, garante o pesquisador, elas ainda nem construíram o seu papel na sociedade. “Não há uma reconstrução, porque seria necessário ter construído uma formação feminina para a discussão de uma REconstrução. Entretanto, quando os sujeitos falam de feminino, essa característica é imposta socialmente pelo masculino”, pontua. Ser menina, explicita Takara, é se depilar, pintar cabelo, colocar roupas bonitas. “É necessário que os sujeitos não se satisfaçam apenas com apontamentos, entretanto percebam a importância da histórica acumulada sobre o período”, enfatiza.
A sociedade em que vivemos é baseada em um contexto patriarcal e falocrático, sendo o primeiro a ostentação do domínio masculino e o segundo a representação do órgão sexual masculino como força de poder, esclarece o pesquisador. “Se nos remetermos aos escritos dos pensadores e filósofos do século XVIII e do século XIX temos sempre os pressupostos dos homens enquanto os seres sociais. O masculino foi protegido e usado nas relações sociais tanto de produção de conhecimento, quanto de manutenção de poder”, lembra o pesquisador. “Em muitos lugares, as mulheres ainda são coagidas se não estiverem ao lado de um homem e sofrem violências verbais e psicológicas por muitos machistas”, continua.
E, para pensar na luta por direitos, é preciso comparar estatísticas. Nessa semana, ao conversar com um amigo, ele me lembrou que existem homens que apanham das mulheres em casa. Óbvio que existem, não duvido disso. Mesmo porque, nos dois anos e meio que trabalho num jornal mourãoense, já devo ter recebido um caso como esse umas duas ou três vezes nos boletins de ocorrência enviados diariamente. Entretanto, todos os dias, praticamente, há registros de violência doméstica contra mulheres praticadas por homens. Aqui em Campo Mourão. É só pensar, quantos homens são mortos por agressões de mulheres contra eles? Não conheço, assim como o pesquisador, nenhuma pesquisa que coloque o número de homens mortos ou agredidos verbal e psicologicamente por mulheres. Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que uma mulher morre a cada quinze segundo em todo o mundo vítimas de violência masculina. Com dados como esse, é preciso realmente se questionar se os homens precisam, mesmo, lutar pelos seus direitos. Quais direitos são esses? O de não dividir as tarefas domésticas, voltar pro futebolzinho enquanto a Amélia traz uma cervejinha gelada? Enquanto lutam por isso, as mulheres continuam na ‘briga’ com um machismo que, embora muitos não acreditam que exista, vitimam mulheres todos os dias. Várias vezes por dia. Como já foi comentado aqui, inclusive no último texto. E você, é à favor da luta pelos direitos dos homens? Acredita que o machismo não existe, mais? E as mulheres, acredita que realmente não têm por quê lutarem?
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Paula Fernandes não é cantora, é jornalista. Com diploma e tudo. Adora dar opinião e morre de medo de ser mal interpretada. Até tem seus preconceitos, que esconde no meio da bagunça embaixo da cama, mas luta contra todos eles. Acredita que o mundo é grande demais para ideias pequenas e busca sempre ir mais longe. Enfrenta seus medos, acredita e faz. E fez, com duas amigas, um livro-reportagem, o Um Olhar Sobre a Aids. Tem, embaixo dos caracóis dos seus cabelos, um emaranhado de dúvidas e certezas indefinidas. Anota as mesmices diárias no seu blog, o pauleando (http://paulassis.blogspot.com/). E, às vezes, no twitter: @paulaafernandes.
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