Mais de 340 moradores de rua foram atendidos em Campo Mourão no primeiro trimestre de 2025

Fotos: Da Assessoria Prefeitura Municipal de Campo Mourão
A população de rua vem aumentando consideravelmente em Campo Mourão e causando preocupação. De acordo com dados atualizados pela Secretaria Municipal de Assistência Social, apenas nos três primeiros meses de 2025, o Projeto Piloto do CREAS POP atendeu 343 pessoas em situação de rua.
Dentre esses atendimentos, 25 indivíduos mantêm acompanhamento continuado na unidade — um trabalho que vai além de ações pontuais, com foco em transformação social.
No período, o serviço realizou 780 atendimentos, número que representa quantas vezes uma pessoa foi acolhida pela equipe composta por psicóloga, assistente social e orientadora social.
Em paralelo, o serviço de abordagem social, também coordenado pelo CREAS POP, abordou 93 pessoas nas ruas do município. Dessas, 73% eram oriundas de outros municípios, como Londrina, Foz do Iguaçu, Goioerê e Mamborê.
ACOLHIMENTO E AÇÕES CONCRETAS
Além do acompanhamento técnico, os atendimentos incluem acolhida, orientações sociais, fornecimento de café da manhã e almoço, espaço para higiene e troca de roupas, além de encaminhamentos para a rede pública.
A Casa de Passagem Filhos Prediletos, que mantém parceria com o município, acolheu uma média de 128 pessoas por mês no período, sendo 24 naturais de Campo Mourão.
Entre os encaminhamentos realizados no trimestre, 33 pessoas foram levadas à Casa de Passagem, 5 para a UPA e 13 para clínicas e comunidades terapêuticas. No aspecto da reinserção social, 6 pessoas foram inseridas no mercado de trabalho em 2025 — sendo quatro em empregos formais.

DESAFIOS NO ATENDIMENTO DIÁRIO
Apesar dos avanços, as equipes técnicas enfrentam desafios diários nas abordagens. Um dos principais entraves é a recusa frequente da ajuda ofertada.
Muitas pessoas em situação de rua, por motivos diversos — como dependência química, transtornos mentais não tratados, traumas pessoais ou ruptura de vínculos familiares — optam por permanecer nas ruas, mesmo diante da oferta de acolhimento.
Além disso, a rotatividade elevada (com grande número de pessoas oriundas de outros municípios) dificulta o acompanhamento continuado e a construção de vínculos que possibilitem mudanças reais.
“São atendimentos que exigem tempo, confiança e construção de novos projetos de vida. E muitas vezes isso é interrompido porque a pessoa vai embora ou recusa o serviço”, relata a equipe.
POR QUE NÃO SÃO RETIRADOS DAS RUAS?
Um ponto que gera dúvidas na população é o motivo pelo qual essas pessoas não são simplesmente retiradas das ruas, especialmente quando ocupam praças ou calçadas públicas.
Segundo a legislação brasileira e os princípios da assistência social, ninguém pode ser retirado à força de um espaço público por estar em situação de rua. A atuação das equipes do CREAS POP e do Serviço de Abordagem Social é pautada pelo respeito à dignidade humana, ao direito de ir e vir e à liberdade de escolha.
“A nossa função é ofertar atendimento, acolhida e encaminhamentos, sempre respeitando a autonomia de decisão da pessoa. Não cabe à assistência social ações coercitivas, isso seria uma violação de direitos”, explica a secretaria. Quando há resistência, os profissionais continuam tentando contato e reforçando os canais de ajuda, mas não podem forçar o acolhimento.
VIOLÊNCIA E ATUAÇÃO CONJUNTA
Casos de violência envolvendo pessoas em situação de rua têm preocupado moradores e órgãos públicos. Quando há denúncias ou flagrantes de agressões, a Polícia Militar deve ser acionada imediatamente. O CREAS POP também realiza abordagens conjuntas com a PM e o CAPS AD, principalmente para prevenir situações de violência comunitária.
Em situações de violência interpessoal, como em casos de mulheres em situação de rua vítimas de parceiros, os encaminhamentos são feitos ao CRAM, além da orientação para boletim de ocorrência.
PLANEJAMENTO E NOVAS AÇÕES
Para enfrentar de forma mais estruturada essa realidade, a Secretaria elaborou o Plano Municipal de Políticas Públicas para Pessoas em Situação de Rua (2025-2026), aprovado pelo Conselho Municipal de Assistência Social.
Uma das estratégias já em andamento é a transformação do Projeto Piloto do CREAS POP em um Centro POP com sede e equipe própria, que ampliará os serviços ofertados.