I Hackathon Agrotech chega ao fim com equipes vencedoras e soluções inovadoras

Segundo a organização do II Fórum do Agronegócio, Tecnologia e Inovação as palavras interação e sinergia entre os atores locais e regionais em prol do fortalecimento do ecossistema do agronegócio em Campo Mourão resumem o evento.

Reforçando o trabalho já feito pelo CODECAM – Conselho de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão para a aprovação da Lei de Inovação, o evento se insere num movimento estratégico que visa estimular o empreendedorismo e a geração de novos negócios, com base tecnológica, na cidade, que atendam demandas dos produtores rurais.

Desde a sua primeira edição, em 2019, o fórum reuniu centenas de produtores rurais da região, autoridades ligadas ao setor, professores e alunos do ensino superior. Neste ano, o evento foi dividido em duas partes, a primeira ocorreu no último dia 25, à noite, com palestras para mais de 300 inscritos, que abordaram a transformação digital do agronegócio, a inovação como estratégia para o desenvolvimento, o uso da internet das coisas no campo e, como e quando a tecnologia 5G estará disponível para os produtores rurais, pano de fundo para a 2ª parte.

Inovamos nesta edição do FATI, acrescentado ao evento o 1º Hackathon AgroTech ocorrido entre os dias 27 e 30 desse mês, afirmou Dâmares Ferreira, Coordenadora da Câmara do Agronegócio. O objetivo do hackathon foi o de aproximar o setor produtivo , os governos, a sociedade civil e as instituições de ensino superior da cidade e da região para a geração de soluções para problemas enfrentados pelo agronegócio.

Segundo o Presidente do CODECAM, Newton Leal, a Câmara do Agronegócio do CODECAM – Conselho de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão conseguiu girar a quadrupla hélice da inovação ao reunir num mesmo evento o Governo do Paraná e o IDR – com a SEAB, a ADAPAR, a Emater -, a Prefeitura Municipal de Campo Mourão e o SEBRAE; na segunda hélice, reuniu a sociedade civil, com  a FAEP, o Sindicato Rural, a ACICAM, o EducaInova Hub Educacional e o IN2; na terceira hélice – o evento contou com a forte atuação acadêmica por meio de professores da UTFPR, Unespar, Centro Universitário Integrado e da Unicampo;  e, no quarto hélice, o empresarial, o evento contou com a participação da TIM Brasil, COAMO, ProSolus do Brasil e Trucker do Agro. No apoio para a divulgação estiveram a Tribuna do Interior, portal TáSabendo, Rádios Terra e Musical FM e a Rádio CBN. A sinergia e o comprometimento de todos permitiram a realização da segunda edição do evento, afirmou Leal.

Com a curadoria do EducaInova Hub Educacional, associação sem fins lucrativos que estimula o uso de novas metodologias de ensino e resolução de problemas complexos por alunos do ensino superior e do ensino médio, o hackathon chegou ao seu final com 10 equipes de alunos do ensino superior e do ensino médio técnico, numa intensa maratona de programação e modelagem de negócios, acompanhados de perto por uma equipe de 20 mentores, além da equipe da Aceleradora Orbital, que operacionalizou a maratona.

Em uma banca composta por engenheiros agrônomos e de produção agroindustrial, da ciência a computação, pela COAMO e pelo Trucker do Agro, as tres equipes que apresentaram as melhores soluções para os problemas apresentados receberam premiação em dinheiro em 2.000, 1.300 e 700,00, além da participação de 6 meses em Programa de Pré-Incubação na INCUBADORA AGROI9. Esta incubadora, especializada em agronegócio, foi criada para receber as equipes ganhadoras. Ela é composta por professores da UTFPR, Unespar e técnicos da Coamo. Além das três primeiras colocadas, a quarta colocada recebeu o título de honra ao mérito e também seis meses de pré-incubação.

A equipe melhor colocada foi a Primosolus, que recebeu o prêmio no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais). A segunda equipe premiada foi a Agrovision, que recebeu o prêmio no valor de R$ 1.300,00 (mil e trezentos reais). Já a terceira colocada, equipe Decepticons, recebeu o valor de R$ 700,00 (setecentos reais). Também houve menção honrosa à equipe Organic-OS, por seu empenho e resultados apresentados durante todo o evento. Todas elas participarão de programa de pré-incubação na Incubadora Agroi9, especializada em agronegócio.

A equipe que ficou  em primeiro lugar projetou um medidor de vazão (fluxômetro) capaz de realizar medições sem contato direto com a calda (solução composta por agrotóxicos e aditivos agrícolas), reduzindo a taxa de incrustação na região do medidor e auxiliando no controle do funcionamento individual dos bicos a partir de um sistema de monitoramento em tempo real dos dados coletados. A segunda colocada propôs um equipamento para desinfecção dos frutos pós-colheita com aplicação de ozônio, eliminando cerca de 99,9% de patógenos e fungos que reduzem a vida útil dos frutos, assim esse frutos teriam sua vida útil prolongada, reduzindo as perdas devido ao tempo de transporte, armazenamento e beneficiamento, bem como, permitindo transporte in natura para maiores distâncias, aumentando a confiabilidade, qualidade e garantia dos frutos, além disso o ozônio possui propriedades de degradação de agrotóxicos, reduzindo a carga química dos frutos que podem causar efeitos negativos a saúde humana. A terceira colocada desenvolveu um sistema modelo SaaS, para processar dados por correlacionamento de informações públicas sobre variáveis impactantes nos resultados de cultivares de soja, milho e trigo, como dados climáticos, de produção, irradiação e localização geográfica. Já a equipe merecedora de menção honrosa propôs um projeto de sensoriamento IoT para monitoramento do cultivo hidropônico.

Outras soluções foram apresentadas pelas demais equipes, dentre elas: um aplicativo para planejamento de rotinas de plantio, com a utilização de inteligência artificial e para o melhor aproveitamento da terra ao decorrer do ano, aumento de produtividade, diminuição de perdas e manejo correto do solo; o resfriamento evaporativo durante transporte dos alimentos orgânicos, para maior conservação; plataforma de comercialização de produtos próximos do prazo final de validade e com preços abaixo do mercado, gerando renda para os produtores e viabilizando doações para instituições sociais que fornecem alimentos para pessoas vulneráveis; além de até um aplicativo para apresentar ao pequeno produtor familiar as melhoras épocas para determinados cultivos, quando seriam mais rentáveis.

O próximo passo da Câmara do Agronegócio será articular e estimular a criação de uma fundação local de apoio à inovação no agronegócio, acrescentando mais um elo a este ecossistema e fomentando o nascimento de empresas com produtos e serviços inovadores, de base tecnológica, voltados ao agronegócio de Campo Mourão, afirmou a coordenadora.