Helton Borges desmancha manobra esquematizada para ajudar prefeito

O clima esquentou na sessão da Câmara de Vereadores de Campo Mourão nesta segunda-feira (12). Apesar de ser aliado do grupo que comanda a prefeitura de Campo Mourão, o vereador Helton Borges (PSD) surpreendeu e não seguiu a manobra esquematizada para dar liberdade ao prefeito de gastar 20% do orçamento da prefeitura sem passar pela Câmara. O presidente da Casa, Eraldo Teodoro (PMDB), mudou a maneira como os vereadores tem votado os projetos, e pediu para que fosse votado nominal, assim ele também poderia votar e, no caso de empate, já contando com o próprio voto e com os votos de Ademir Franco de Lima (PSL), Nelita Piacentini (PMDB), Edoel Rocha (PDT) e Helton Borges, o presidente teria o poder de desempatar. Mas não foi o que aconteceu. Com o voto de Helton, toda a destinação do orçamento precisa ser aprovada pela Câmara.

O projeto, da maneira como o executivo mandou para a Câmara, autorizava o prefeito a usar cerca de R$ 34 milhões sem ter que passar pela Casa de Leis. Quando o projeto passou pela Comissão de Finanças e Orçamentos, comandada por Beto Voidelo (PPS), juntamente com Saul Sachetti (PMDB) e Helton Borges, a comissão resolveu zerar, ou seja, manter como tem sido nos últimos anos, tudo precisa ser analisado e aprovado pelos vereadores.

Para Helton Borges, essa prática não atrapalha o executivo. ‘Tem sido assim hoje e nos últimos anos. Nós sentamos e analisamos que desta maneira fica mais transparente. Não creio que vá atrapalhar’, afirma Borges. O vereador afirma ainda que não pretende mudar voto sem justificativa. ‘Ninguém da prefeitura me procurou para explicar se dessa maneira o andamento da prefeitura é arruinado. Agora, amanhã (terça-feira) tem segundo turno’, comenta.

Helton também despistou os comentários de que estaria magoado por não ter sido nomeado presidente do PSD Jovem em Campo Mourão. ‘Isso não é verdade. Até fui convidado para ser vice. Eu também não teria tempo para me dedicar. Só não votei como todos da base do Tureck porque acredito que não atrapalha em nada a prefeitura’, reafirma.

Apesar de vencer em primeiro turno, o vereador Beto Voidelo não concorda com a maneira como o presidente do Legislativo tem comandado as votações. ‘Ele tem conduzido de maneira com que as coisas se encaixem para aquilo que defende. Ele não pode votar para empatar e depois votar para desempatar. Tá errado, não está de acordo com o regimento’, aponta Voidelo.

Segundo o presidente da Câmara, Eraldo Teodoro, a maneira como ele comandou a votação é amparada pelo regimento. ‘Está no regimento interno da Câmara a maneira como eu posso proceder para colocar em votação os projetos. O que eu fiz está tudo dentro da lei. Eles aceitaram a votação nominal, isso me dá direito a voto no projeto e em caso de empate, desempatar. É uma manobra para tentar resolver a situação. Se eles não quisessem era só votar contrário ao voto nominal’, argumenta Teodoro.

Fato é que o que vale mesmo é a votação desta terça-feira. Se continuar como foi votado nesta segunda-feira, o prefeito fica à mercê da Câmara, caso contrário ele poderá usar da maneira como entender 20% do orçamento, ou seja, cerca de R$ 34 milhões.

Para quem quiser acompanhar, a sessão acontece no auditório da Casa da Cultura, a partir das 19h00.

(Fernando Lorenzzo)