Heloíse e Natália, as gêmeas que nasceram para superar desafios e brilhar no xadrez

As duas irmãs são exemplo de superação desde o nascimento – Fotos: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com
Heloíse e Natália de Oliveira Biazon, irmãs gêmeas de 12 anos, e uma incrível história de superação, com momentos de drama, luta pela vida, medo, mas com final feliz. Traduzindo tudo o que viveram em tão pouco tempo, já seria suficiente para escrever um livro.
Ao lado dessas duas heroínas, uma mãe sempre presente, acompanhando o passo a passo de cada uma. Regina Aparecida de Oliveira Biazon, conta que desde o nascimento, as filhas demonstraram que vieram ao mundo para superar desafios.
Elas nasceram de forma prematura, após 33 semanas de gestação e com poucas chances de sobrevivência. Para piorar, Natália foi diagnosticada com meningite bacteriana, uma doença gravíssima.
“Por serem prematuras, precisaram permanecer por 32 dias no hospital, mas o quadro da Natália era muito preocupante, a ponto de ouvir do médico que a qualquer momento eu poderia ser chamada para me despedir da minha filha”, relata Regina.
No dia em que a filha recebeu alta, mais uma previsão nada agradável do médico. “Ele disse que dificilmente a Natália teria uma recuperação 100%. Poderia ficar com déficit de atenção acentuado, hiperatividade, sem contar que passaria por um acompanhamento até os 5 anos de idade com grande risco de não andar e não falar. Foi muito duro sair do hospital após 32 dias com esse grande desafio para ser enfrentado, mas também com muita alegria pois o pior ja havia passado”, conta Regina.
Já Heloíse permaneceu 11 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ficou com quadro de apneia (falta de ar). “Até hoje, diante de qualquer situação adversa que ocorre ela apresenta queda de saturação. São desafios que a gente precisa lidar, mas no mais as duas viveram uma grande superação, contrariando todos os prognósticos médicos”, comemora a mãe.
Os primeiros passos para a vitória começaram logo após o primeiro ano de vida, quando começaram a andar. Desde então, as duas passaram a escrever uma nova história, que a própria mãe fica impressionada ao contar.
“Desde então elas iniciaram um desenvolvimento além do esperado. Aos quatro anos, pedagogicamente, já apresentavam um aprendizado acelerado pela idade na escola, demonstrando que não havia ficado nenhum tipo de sequela, como déficit de atenção, transtorno opositor ou hiperatividade”, vibra Regina.
Aos 7 anos, mais uma sondagem positiva: as professoras da Escola Gurilândia, onde Heloíse e Natália estudavam peceberam que elas tinham indicativos de alunos com altas habilidades. “Aos 4 anos elas já liam silabas e as primeiras palavras, quando os professores foram percebendo que as duas se encaixavam no perfil de altas habilidades. Em 2020, passaram por uma avaliação psicológica em que foram diagnosticadas com QI acima da média, contrariando todos os prognósticos previstos”, emociona-se a mãe.
Como a Escola Gurilândia já mantinha uma sala para alunos com altas habilidades, as gêmeas foram inseridas nesse grupo. Hoje, aos 12 anos, já no sétimo ano, foram contempladas com bolsas no Colégio Integrado. Isso porque no esporte também elas já foram deixando suas marcas.
FERAS NO XADREZ
Se na escola, as gêmeas já demonstravam um desempenho acima da média, no esporte não foi diferente. Em junho de 2018 começaram a fazer aulas de xadrez na própria escola e, em setembro do mesmo ano, já estavam participando dos Jogos Primários de Campo Mourão, com Natália ocupando o lugar mais alto no pódio.
“Para nossa surpresa, a Natália foi campeã. As professoras diziam que precisava incentivar porque elas tinham foco e talento. No ano seguinte, em 2019, no primeiro Festival Estadual que participaram em São José dos Pinhais, elas já ficaram entre as 10 do estado. Um feito incrível para quem vinha treinando apenas há 6 meses”, revela Regina.
Em 2020, novamente ficaram entre as 10 no estado. No ano de 2021, devido a pandemia, fizeram a aulas online, com um professor de Maringá e também com a técnica de Campo Mourão. Devido a covid-19, participaram também d forma online do Festival Estadual, onde Natália sagrou-se campeã, com a irmã Heloíse ficando em 4º lugar.
As duas participaram ainda de um Festival Nacional de Xadrez, em Juiz de Fora (MG). “Nesse campeonato, a Natália foi Campeã Brasileira em uma modalidade e vice na outra. No ano passado, as duas ficaram entre as 10 melhores a nível nacional, na cidade de Natal”, contabiliza Regina, cheia de orgulho.
E as conquistas no xadrez não param. Nesse início de ano, em mais um Festival Estadual, Natália faturou o bicampeão, e a Heloíse alcançou o 7º lugar. Natália ainda disputou e venceu o Circuito Sesc de Xadrez, com a irmã ficando em terceiro lugar.
No ano passado, as duas participaram pela primeira vez dos Jogos Escolares do Paraná. Novamente, quebrando paradgmas, com 11 anos de idade, foram campeãs competindo com atletas com idade entre 11 e 14 anos.
“Apesar de terem vencido, não puderam participar da etapa Brasileira porque não tinham idade. A competição era aberta apenas para alunos acima de 12 anos. Ou seja, ninguem esperava que nessa idade alguém pudesse vencer, foi algo inédito”, revela a mãe.
As duas também ja brilharam em competições internacionais. No Sul Brasileiro, em Timbó (SC, Natália foi vice-campeã, enquanto no Sul Americano, na Cidade do Leste (Paraguai), ficaram entre as 10.
Regina conta que apenas em 2023, as filhas já participaram de onze torneios, dos quais Natália venceu oito, ficou com a prata em dois, e o bronze em outro. “Queremos ser campeãs do Mundo”, almejam as gêmeas.
As duas foram convidadas pela Confederação Brasileira de Xadrez para treinar com o grande mestre André Diamant. Elas também passaram a fazer parte do projeto Futuros Olimpícos da Confederação Brasileira. Mais sobre as gêmeas do xadrez no Instagram: @heloobiazon e @natiibiazon