Há 50 anos, morria Juscelino Kubitschek, o ex-presidente que também deixou sua marca em Campo Mourão

JK morreu aos 73 anos, em um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra – Foto: Divulgação

Há meio século, em 22 de agosto de 1976, o Brasil era surpreendido pela morte de Juscelino Kubitschek de Oliveira. Ex-prefeito de Belo Horizonte, ex-governador de Minas Gerais e presidente da República entre 1956 e 1961, JK morreu aos 73 anos, em um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra. Cinquenta anos depois, sua trajetória permanece associada sobretudo à construção de Brasília e à transferência da capital federal para o Planalto Central, mas também se cruza com a história de Campo Mourão.

Foi em 4 de outubro de 1963 que Juscelino chegou ao município. Faltavam apenas dois dias para uma eleição municipal disputada. JK veio a Campo Mourão para participar da campanha de Ivo Mário Trombini, adversário de Milton Luiz Pereira na corrida pela Prefeitura. Trombini acabaria derrotado, com pouco mais de três mil votos, enquanto Milton conquistou a eleição com mais de seis mil.

A passagem de Juscelino, porém, ultrapassou os limites daquela campanha municipal. Antes do comício, o ex-presidente esteve na Câmara Municipal de Campo Mourão, onde recebeu o título de Cidadão Honorário, uma das principais honrarias concedidas pelo município.

Depois, diante do público reunido na Praça Getúlio Vargas, JK fez um anúncio de dimensão nacional: lançou sua candidatura à Presidência da República para a eleição prevista para 1965. A campanha ficaria conhecida pelo lema “JK-65”. A eleição, entretanto, jamais aconteceria. Poucos meses depois da visita a Campo Mourão, o golpe de 1964 interrompeu o processo político e instaurou a ditadura militar.

Em junho daquele ano, Juscelino, então senador por Goiás, teve o mandato e os direitos políticos cassados. Em seu último discurso no Senado, sustentou que a medida não atingia apenas seus próprios direitos políticos, mas também o direito dos brasileiros de escolher livremente seus governantes. A candidatura lançada em Campo Mourão estava definitivamente interrompida.

A ligação de JK com a cidade, contudo, não terminaria com a cassação.

Treze anos depois daquela visita, em 22 de agosto de 1976, Juscelino morreu em um acidente na Via Dutra, quando viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro. A notícia provocou grande comoção no país. O ex-presidente, afastado da vida política institucional pela ditadura, recebeu homenagens de uma multidão.

Em Campo Mourão, a repercussão também foi imediata. A cidade que havia concedido a Juscelino o título de cidadão honorário esteve entre as que rapidamente perpetuaram seu nome no espaço público. Logo após sua morte, o prefeito Renato Fernandes Silva denominou Ginásio de Esportes Juscelino Kubitschek o equipamento esportivo municipal.

A homenagem estabeleceu uma ligação permanente entre o ex-presidente e a cidade que ele visitara em um momento decisivo de sua trajetória política.

Passados 50 anos de sua morte e 63 anos daquela visita, a passagem de Juscelino Kubitschek por Campo Mourão permanece como um capítulo singular da história política local. Naquela tarde de outubro de 1963, uma eleição municipal levou à Praça Getúlio Vargas um personagem que já havia governado o Brasil e que pretendia voltar ao Palácio do Planalto.

A eleição presidencial de 1965 nunca aconteceu. Mas a fotografia de JK em Campo Mourão, os registros de sua passagem pela Câmara Municipal, o título de cidadão honorário e o ginásio que recebeu seu nome preservam, na memória da cidade, vestígios daquele encontro entre a história local e um dos períodos mais marcantes da história política brasileira.