Greve dos caminhoneiros perde força após ameaças do governo
O segundo dia de paralisação da greve nacional dos caminhoneiros que se dizem independentes de sindicatos não teve a mesma adesão de segunda-feira (9), mas mesmo assim durante todo o dia de ontem ocorreram bloqueios de rodovias em pelo menos dez estados. No início da tarde, segundo a PRF, havia manifestações em 36 pontos, 21 com interdições e 15 sem bloqueios nas rodovias federais.
Em Cascavel não ocorreram manifestações de caminhoneiros, nem movimentações como as de segunda-feira quando eles ameaçaram fechara a BR-277. Em Medianeira, o protesto continuou forte com várias interdições ao longo do dia de ontem. O Paraná chegou a ter 19 pontos de bloqueios ontem, tanto em rodovias federais como em estaduais.
Em Coronel Vivida, no Sudoeste, um caminhoneiro disse aos manifestantes que não iria parar e furou o bloqueio, mas um dos manifestantes se jogou no estribo do veículo. De dentro da cabine o caminhoneiro fez um disparo de arma de fogo e seguiu viagem junto com outras duas pessoas que estavam no caminhão. Ninguém se feriu e o caminhoneiro não foi identificado.
Em Mauá da Serra, no Norte do Paraná, sete caminhões que estavam estacionados em um posto de gasolina foram incendiados. Apesar das suspeitas de ser um incêndio criminoso, a polícia investiga o caso e não confirma se há alguma relação com a greve dos caminhoneiros.
Bombeiros de Apucarana e Ivaiporã foram deslocados para combater as chamas e contaram com auxílio de uma equipe da concessionária que administra a rodovia BR-376 e de um caminhão pipa da prefeitura local.
Luciano Alberto Camilo, tenente do Corpo de Bombeiros, disse que ninguém se feriu. Segundo ele os caminhões estavam carregados com grãos, areia e madeira e seis deles foram totalmente destruídos e outro parcialmente.
“Quando os bombeiros chegaram o fogo já tinha consumido tudo, só fizemos o rescaldo”, relatou.
O caso será investigado pela delegacia da Polícia Civil de Apucarana. O delegado José Aparecido Jacovós disse que somente a perícia poderá apontar se o incêndio foi “doloso ou culposo”.
líderes da CNT (Comando Nacional dos Transportes), movimento que lidera protestos pelo país, Ivar Schmidt, considerou positivo o resultado do primeiro dia. Ele espera que o movimento ganhe mais adesões, mas diz que sua continuação depende do apoio da população em sua pauta principal, que é a retirada da presidente Dilma Rousseff do governo.
A categoria iniciou a greve nesta segunda (9) após não entrarem em acordo com o governo federal em relação às suas reivindicações. A adesão atingiu ao menos 14 Estados do país, no primeiro dia. O ponto principal da reivindicação é a renúncia da presidente Dilma Rousseff.
