Gol e Infraero terão de pagar R$ 230 mil a cadeirante que teve que se arrastar no aeroporto de Foz

cadeirante

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) irá multar a Gol Linhas Aéreas e a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em até R$ 230 mil pelo embarque irregular de uma passageira com deficiência física em um voo em Foz do Iguaçu. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (30) e cabe recurso.

O caso chamou a atenção porque, por falta de equipamento adequado da companhia e do aeroporto, Katya Hemelrijk subiu as escadas de embarque “de bumbum”, conforme ela descreveu.

Ao total, foram 11 autos de infração emitidos, sendo seis para a companhia aérea Gol e cinco para o operador aeroportuário do aeroporto de Foz do Iguaçu, a Infraero. Todos os autos foram emitidos com base em descumprimentos em resolução da Anac que dispõe sobre os procedimentos relativos à acessibilidade de passageiros com necessidade de assistência especial no transporte aéreo.

A Gol e a Infraero terão 20 dias corridos para apresentar defesa, contados a partir do recebimento dos autos. A partir dessas informações, a Anac analisará a defesa e definirá o valor das multas devidas.

Entenda o caso

Sem equipamento especial para embarque de cadeirantes, a executiva Katya Hemelrijk da Silva passou uma situação no mínimo constrangedora durante a madrugada de 1° de dezembro de 2014, em Foz do Iguaçu. De acordo com o próprio relato no Facebook, Katya precisou se arrastar por uma escada para poder embarcar em um avião da Gol Linhas Aéreas com destino a São Paulo.

Pela rede social, ela postou uma foto tentando subir a escada destinada aos demais passageiros já na pista do aeroporto e disse que só não foi pior devido a indignação conjunta dos demais passageiros e da tripulação. “Eles ajudaram eu e meu marido no que foi preciso, inclusive resgatar a mala que já estava despachada para que eu pegasse uma calça. Não tenho a mínima intenção em processar a empresa, quero aproveitar o ocorrido para tentar ajudá-los a se estruturar melhor, frente às adversidades que podem aparecer em qualquer momento, como as próximas Palímpiadas”, disse.

Katya tem Osteogenisis Imperfeita, mais conhecida como Ossos de Vidro e ser carregada por qualquer pessoa, incluindo o marido, gera um risco para a sua situação. Na falta de alternativas mais seguras para subir na aeronave, ela decidiu se arrastar por já estar no chão e sem risco de queda.