Fórum da Comunicação em Campo Mourão discute papel da imprensa na vida das pessoas
Na manhã desta quarta-feira (23) foi realizado no auditório do SENAC, em Campo Mourão, o I Fórum Municipal de Comunicação Social, organizado pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Campo Mourão. Profissionais da imprensa e das assessoria de comunicação de empresas da cidade compareceram para debater o tema “a comunicação como ferramenta de construção da história”. O professor do curso de letras da Fecilcam, Neil Franco, e o diretor de jornalismo da RPC-Globo, Wilson Serra, falaram sobre o trabalho dos profissionais e sobre a importância da comunicação no cotidiano das pessoas.
Iniciando o Fórum, o professor Neil Franco falou sobre o papel da linguagem na comunicação. “A linguagem é importante na comunicação. O trabalho da jornalista é levar os acontecimentos de maneira atraente para o público. Entretanto, a experiência pessoal, o discurso e os recursos estratégicos acabam causando a reconstrução da realidade. O profissional da comunicação tem um olhar sobre o fato, e é através desse olhar crítico que ele vai retratar a realidade”, salienta o professor.
A imprensa
O segundo palestrante do evento, o diretor de jornalismo da RPC, Wilson Serra, falou sobre a sua experiência de mais de 40 anos atuando em vários veículos de comunicação. “O patrão do jornalista não é o proprietário da empresa, mas a D. Maria, aquela que acompanha o seu trabalho, que o ouve, lê ou assiste”, comenta. “O patrocinador também acompanha a D. Maria. Se ela muda de canal, o patrocinador também muda. O anunciante quer atingir o público, não agradar o jornalista ou a empresa”, argumenta. “O controle remoto é o patrão”, brinca.
Na questão da isenção de opinião, Serra explica que “é difícil se desligar dos interesses pessoais e comerciais”. Para ele a isenção não existe. “A verdade, no sentido literal da palavra, não existe, o que existe são pontos de vista. Mesmo que se ouçam todos os lados, existe uma opinião, um ponto de vista” salienta o jornalista. “Temos de ter cuidado para não prejudicar ninguém. A segurança e a precisão nas informações são muito importantes. A ansiedade para divulgar um acontecimento pode prejudicar ou expor algumas pessoas. A comunicação tem o poder de destruir ou construir mitos”, enfatiza.
Sobre a liberdade imprensa, Serra lembrou a época da censura, em que “não podíamos fazer muita coisa”. Ele disse que não dá para viver sem a imprensa e muito menos sem a liberdade de imprensa. “A liberdade de expressão e a maior expressão da liberdade de um povo”, citou.
O papel da imprensa para Serra é dar às pessoas condições de fazer o julgamento, mas, o poder da decisão é de cada um. “O jornalista não tem o poder de modificar um acontecimento, ele apenas pode mostrá-lo e cabe às pessoas fazer o julgamento” salienta. “O jornalista retrata o momento, mas é o historiador que faz a história ao juntar esses momentos”, comenta Serra.
Jornalismo local
O jornalismo local vem ganhando terreno e Serra explica que “quanto mais próximo da população a gente estiver melhor. A população está mais informada, mas participativa, aquele jornalismo de cima para baixo não existe mais”. Para ele as pessoas estão mais interessadas naqueles assuntos que tem a ver com a sua realidade. “Se acontece um fato importante em Brasília o povo quer saber, mas tem mais interesse nas coisas que estão à sua volta, no seu cotidiano”, comenta o jornalista.
Internet
“Novos canais de informação surgem a todo o momento. A internet é um deles”, disse Serra. “Eu considero a internet um fórum de opiniões e ponto de referência de informações. Mas a pressa em divulgar a notícia tira um pouco da credibilidade”, comenta. “É preferível perder um furo de reportagem para um concorrente do que levar uma bola nas costas, ou seja, divulgar um acontecimento sem ter certeza do que realmente aconteceu, o que pode acabar prejudicando a imagem do veículo de comunicação e até mesmo algumas pessoas”, conclui.
(Ari Mendonça)