Família denuncia morte por omissão de socorro; Santa Casa detalha atendimento
Familiares de Daniel Neves de Oliveira, 42, denunciam por omissão de socorro, dois hospitais de Campo Mourão. Acidentado com uma máquina de terraplanagem na manhã de domingo (06), o relato é que Oliveira chegou primeiro ao Hospital Pronto Socorro e, com a recusa do atendimento naquele local, fora levado pelo Samu ao Hospital Santa Casa, pouco depois de meio dia, onde também não foi atendido, segundo parentes. Por volta das 20h, Oliveira morreu.
Os parentes de Daniel explicam que enquanto o atendimento não acontecia na Santa Casa, ele perdia muito sangue. Eles explicam que com muita insistência, Oliveira foi levado ao interior do hospital, horas depois de chegar. Mas ele teria sido deixado sobre uma maca, onde não recebeu nenhum tipo de medicamento ou atendimento. Por volta das 19h, o Samu foi acionado e os familiares informados de que Oliveira seria transferido para o Hospital Pronto Socorro.
A transferência não aconteceu e familiares contam que viram agentes do Samu reanimando a vítima, visto que no hospital não havia médicos. Minutos após anúncio de óbito de Oliveira, filhos da vítima, querendo ver o pai, teriam sido impedidos por segurança e funcionários de entrar no hospital. Revoltados, os familiares quebraram vidros do hospital, ameaçaram e xingaram funcionários.
Como resultado, a Polícia Militar foi chamada e levou para a 16ª Subdivisão Policial, os parentes de Oliveira por vandalismo. Os filhos da vítima disseram que em momento algum foram informados sobre o estado de saúde do pai. E que funcionários do corpo clínico não passaram nenhum tipo de informação quanto aos procedimentos a serem realizados.
O que diz a Santa Casa
Em entrevista coletiva concedida na manhã de hoje o diretor técnico da Santa Casa, Regis da Silveira, relatou com pormenores o atendimento que, segundo ele, o paciente recebeu. Disse que como era requisitado em outras situações graves, não poderia esclarecer o porquê da não transferência do paciente ao Hospital Pronto Socorro (Central Hospitalar), visto que aquele hospital é referência ao atendimento ortopédico. Contudo, também enfatizou que a complexidade das fraturas do paciente talvez não fosse para Campo Mourão.
Numa entrevista de mais de 23 minutos, Dr. Regis da Silveira reiterou que o paciente “tinha fraturas graves de pelve”, explicou que “essas fraturas sangram muito” e que a “pelve quebrou tanto embaixo como na parte lateral”.
Respondendo ao questionamento de que um parente diz ter encostado no paciente e que ele estava gelado (numa evidência de choque), o médico relatou que “os sinais vitais do paciente estavam estáveis até umas 18h. Depois os sinais vitais começaram a cair e aí o paciente entrou em choque. E esse choque levou à parada cardíaca”.
O médico começou a entrevista dando detalhes de seu atendimento e na sequência respondeu a algumas perguntas da imprensa local:
“O paciente chegou em torno de 12h45 e veio trazido pela família com histórico de um trauma, que uma prancha caiu sobre o corpo dele, a gente não sabe exatamente como. Mas foi atendido aqui, medicado, muita dor. Eu avaliei ele na tomografia e vi o exame tomográfico dele. Ele tinha fraturas graves de pelve (bacia) e algumas fraturas de arcos costais (lesão torácica). Todas as fraturas mais importantes concentradas do lado esquerdo do corpo, que talvez tenha sido o local de maior impacto, ou do corpo no chão ou da própria prancha no corpo. Era um paciente que embora todas as fraturas de arcos costais, sem patologia torácica, ressaltando as graves fraturas de pelves com hematoma retroperitoneal, que é uma coisa esperada nesse tipo de fratura. Paciente consciente, lúcido, a parte neurológica não houve nenhum comprometimento. Tomografia de crânio absolutamente normal. Tomografia de coluna cervical absolutamente normal.”.
(Repórter) Então não procede que o paciente não foi atendido pela Santa Casa?
(Dr. Regis da Silveira) Não, esse paciente permaneceu das duas horas da tarde praticamente até às 19h dentro do hospital. Ele já começou a ser medicado imediatamente, até porque tinha, devido a gravidade das lesões, muita dor.
(Repórter) Por que ele não foi transferido para a UTI?
(Dr. Regis da Silveira) “Porque o que precisava ser feito, estava sendo feito ali. Para que nós usamos a UTI? Para um paciente que esteja com insuficiência respiratória, ou alguma situação mais grave que precise de algum suporte além do que ele estava recebendo. Embora, assim, o nosso pronto atendimento tenha respirador, tenha toda a estrutura para atender um paciente desses até estabilizar e se for o caso, a transferência para a UTI. A UTI é um local que recebe pacientes graves estáveis. Não é um lugar que recebe pacientes graves para estabilizar. A estabilização de paciente grave acontece no Pronto Socorro. Todo o processo de estabilização do paciente deve acontecer no Pronto Socorro. Ele deve chegar na UTI bom, estável, pronto só para a UTI atender alguma intercorrência se isso acontecer.”
(Repórter) Esse relato que o senhor fez, desse atendimento foi a que horas?
(Dr. Regis da Silveira) “O atendimento dele começou por volta de 13h40, 14h. A primeira coisa que foi feita nele foi a tomografia, além de puncionar e analgesia. Mas o primeiro procedimento foi a tomografia justamente para avaliar onde estavam as lesões e saber quais os tipos de intervenções que precisavam”.







