Eleitores divergem entre voto facultativo e obrigatório

Na esteira da tão esperada (quase utópica) reforma política, as opiniões entre voto facultativo ou obrigatório estão tão divididas que faz mesmo sentido uma ampla consulta popular, defendida por tantos. Enquanto isso não acontece, a reportagem do Tasabendo.com foi buscar algumas opiniões que fundamentam as duas posições. De ambos os lados estão em discussão, entre outras coisas, a juventude de nossa democracia e a consciência (ou a falta dela) dos mais de 110 milhões de eleitores brasileiros.

Para a economista Adriana Aparecida de Mello, 35, o voto deve continuar sendo obrigatório por dois motivos: a corrupção eleitoral e o despreparo da população. “Esses são obstáculos para que o País assuma um novo modelo de processo eleitoral. Ainda não é hora do cidadão utilizar seu poder de cidadania facultativamente. Vivemos em uma democracia extremamente jovem e pouco testada no contexto histórico. O brasileiro ainda tem que aprender a votar, para que possa se libertar da obrigação.”, argumenta.

Flávia Roberta Ribeiro Ferraz, 32, autônoma, concorda. Ela aposta que se o voto fosse facultativo, muitos deixariam de ir às urnas. “O povo brasileiro, na maioria, não se interessa pela política do País, desconhecendo até seus direitos e deveres. Não se interessam pela nossa constituição. Sendo obrigatório, muitos já preferem pagar multa do que sair de casa para votar. Para o voto ser facultativo, seria necessário reformular não só as leis como a cabeça de milhões de brasileiros que escolhem candidatos que possam lhes “ajudar” mais”, enfatiza.

Na opinião da cuidadora de idoso, Ana Cristina Yurassek, 50, o voto ser facultativo é uma questão de democratização de fato. “Com toda certeza o voto deve ser facultativo. Está na hora de aprendermos a viver a democracia e isso começa pelo voto não obrigatório. Além disso, acredito que a nação aprenderá a ser patriota realmente quando começarmos a ser livres para votar”, opina.

O ambientalista Dirceu Wander Broock, 72, também é contra a obrigatoriedade do voto, mas entende que muitas outras questões precisam ser reformuladas para que o voto facultativo dê bons resultados. “Em qualquer situação quando alguém é obrigado, o resultado nem sempre acontece de modo a favorecer a todos. Toma-se partido e vai em frente. A possibilidade de compra ou venda acontecerá sendo ou não obrigatório. Só a distinção de votar obrigatoriamente, ou não, não agasalha resolução inteira.”, pondera.

Wander Broock propõe que a reeleição e o carreirismo político também sejam considerados e complementa: “O engajamento em campanhas dispendiosas muito além do potencial financeiro do candidato, do local onde milita, etc, devem ser levados em conta. Os exemplos de maus políticos, em especial aqueles herdeiros de familiares e amigos que os sustentam com a imagem e, especialmente, com o prestígio negociado e fabricado ao gosto daquilo que chamamos de elite não deverão perdurar.”, conclui.

O estudante de Direito, Cesar Augusto Gazzi, 24, salienta que com a desigualdade social e baixa escolaridade da maioria dos brasileiros, o voto deveria ser facultativo há muito tempo. “A maioria dos eleitores não tem a menor consciência do que está fazendo. Há quem venda o voto por R$ 50,00 ou R$ 100,00. Paralelamente, os políticos estão pouco se importando com a Educação, pois sem ela as pessoas são manipuláveis. Então, nesse caminho, o voto facultativo dificultaria a eleição de certos políticos, pois quem se interessa menos por política ficaria em casa em vez de votar. Com isso, bolsas sociais teriam menos peso na votação e isso inibiria o voto de cabresto moderno.”, explica.