Dia Internacional da Síndrome de Down: o amor vencendo o preconceito

Ondina com a filha Lara: Um presente de Deus
Luiz Otávio, Nicolas e Lara. Os três comungam algo em comum: a síndrome de down, uma descoberta dolorosa para os pais na hora do nascimento, mas que o amor sem medida do dia a dia, correspondido por meio do sorriso e do afeto, tem os transformados em filhos como qualquer outro. É o amor vencendo qualquer tipo de barreira de preconceito que possa vir da sociedade.
“O preconceito existe, pois falta muita informação. O que dizer para as māes!! Além dos cuidados que todo filho típico precisa, os nossos atípicos precisam de mais estimulação e um cuidado maior em relação à saúde. Eles sāo capazes de desenvolver tudo o que quiserem. No mais, temos que viver um dia por vez, um milagre por dia e todo dia o milagre”, diz a mãe de Lara, Ondina da Silva.
Neste dia 21 de março é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down, data criada em 2006 pela organização Down Syndrome International a fim de conscientizar a sociedade para a inclusão da pessoa com síndrome de Down e dar visibilidade ao tema.
Ondina conta que a gravidez de Lara foi planejada e muito desejada. A ultrassom de translucência nucal, com 12 semanas de gestação, deu alterada, com probabilidade para síndrome de Down. “Todas as outras ultrassons e exames de cardiopatias, nāo tiveram alterações. Nāo fizemos exames genético, entregamos nas mãos de Deus e aguardamos o parto. A Lara nasceu de cesárea e logo já percebemos os traços da síndrome. Realizamos o exame cariotipo que ficou pronto 40 dias após, vindo o resultado positivo”, revela.
Desde então, Ondina e o esposo Dorival, foram atrás de informações para saber como lidar com o novo. Desde os dois meses, muitos exames e terapias de estimulaçāo precoce.

Piquenique no sábado passado no Parque do Lago uniu famílias com filho com a síndrome de down
“A primeira reaçāo é sim de medo, insegurança, mas a cada dia que passa, vendo seu desenvolvimento e sua saúde estável, nos fortalece, e ela nos ensina muito a cada dia. Lara é um presente de Deus para nossas vidas, família e amigos.
Leonice de Faria já tem uma experiência maior que Ondina sobre a síndrome. Seu filho, Nicolas de Faria Pineze Pereira, já tem 20 anos. Ela conta que teve uma gravidez conturbada por conta de uma recente separação.
“Tive alguns problemas de descolamento de placenta e havia recentemente me separado, fiquei depressiva, por causa da separação. Mas meu filho nasceu de 8 meses, pois descolou a placenta, tivemos que fazer cesárea de urgência, mas quando ele nasceu nem precisou ficar em incubadora, ele nasceu com boa saúde. Só descobri que ele tinha a síndrome após o nascimento. Nunca me pediram nenhum exame específico durante a gravidez para detectar alguma coisa”, afirma.

Leonice e o filho Nicolas: Apoio da família foi fundamental
No início, Leonice conta que ficou triste, chorou muito durante uns 15 dias, mas passado o susto, começou a procurar informações sobre o assunto. “Li muito, procurei correr atrás de tudo o que eu pudesse fazer para estimulá-lo, para melhorar a qualidade de vida dele. Não medi esforços para desenvolvê-lo apesar das dificuldades financeiras que passei”, revela.
O apoio da família foi fundamental. “A minha família naturalmente ficou preocupada no início, pois era algo desconhecido para todos, mas me ajudaram no que foi preciso, eles foram importantíssimos nesse processo, me apoiaram, me ajudaram e até hoje posso contar com eles” agradece.
Para Leonice, o maior desafio não é com a síndrome do filho, e sim com a falta de conhecimento das pessoas. “Isso gera muito preconceito. A mensagem que deixo para outras mães com filhos com a síndrome é que devemos dar muito amor e carinho, curtir bastante nossos filhos que logo eles crescem. Estimular em casa, conversar bastante com eles, levar para as terapias, não desistir nunca! Nossos filhos são maravilhosos independente de ter alguma deficiência ou não.”
A gravidez de Kelly Patrícia Guaiume Welter foi tranquila até os seis meses, quando o médico constatou um problema no coração de Luiz Otávio. De Guarapuava, onde morava, ela foi para Curitiba em busca de tratamento.
“Em Curitiba, a médica disse que ele tinha cardiopatia congênita e precisava de cirurgia. Pelo diagnóstico, já sabia que geralmente quem tem essa cardiopatia tem a síndrome de down. Foi um choque, chorei muito, mas a preocupação era só com o coração e não com a síndrome de down. O medo era se meu filho ia sobreviver ou não à cirurgia”, conta ela.

Família de Kelly: Luiz Otávio é uma criança normal, diz a mãe
Os últimos três meses de gestação não foram fácil. O médico disse a Kelly que a chance do filho nascer com a síndrome era de 50%. “Realmente quando ele nasceu já vi no rostinho dele os traços de down. Chorei muito, a maior preocupação era como a família e os outros como iam o acolher, pois não tinha nenhum conhecimento sobre essa síndrome”, comenta ela.
No entanto, amor e carinho de todos não faltaram a Luiz Otávio. Hoje, aos dois anos, Kelly entende que o filho veio como um presente de Deus. “Ele sempre foi um bebê muito cativante, amoroso e onde passa cativa as pessoas. O que me preocupa é o preconceito que ele venha a sofrer no futuro, mas para mim é uma criança normal, que a gente ama demais, como a outra filha de seis anos que tenho.”