CPI pede afastamento de administrador do cemitério de Campo Mourão

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que a Câmara de Vereadores de Campo Mourão instaurou para apurar denúncias de eventuais irregularidades no cemitério municipal São Judas Tadeu realizou a terceira audiência na tarde desta segunda-feira (29/9). No encontro foi aprovado o encaminhamento de ofício a prefeita Regina Dubay solicitando o imediato afastamento do administrador do cemitério municipal, Paulo Rogério de Souza Leite, até a conclusão dos trabalhos de investigação. A medida foi proposta pelo vereador Toninho Machado, relator da CPI.

Também ficou decidido que será realizada uma acareação entre o pedreiro José Ksey (um dos autores das denúncias de irregularidades) e o secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, José Marin, possivelmente logo após o feriado. É que a CPI já tem três declarações firmadas pelo pedreiro com conteúdo conflitante. A primeira declaração ele formalizou na Câmara Municipal, com as denúncias que fundamentaram a abertura da investigação. No segundo documento, formalizado no gabinete do secretário municipal José Marin, ele negou as denúncias. Posteriormente, ele esteve espontamneamente no Ministério Público onde deu novas declarações. José Ksey deveria comparecer a audiência desta segunda-feira, mas alegou que já ouvido pela CPI (mas ocorreu um problema com a gravação) e encaminhou cópia do depoimento que prestou ao Ministério Público.

O presidente da CPI, Edilson Martins (PSD) comunicou ainda o recebimento de documentação encaminhada pelo secretário José Marin sobre pedido de gratuidade formalizado pelo vereador Isidoro Moraes (PP) no ano passado para o sepultamento de uma pessoa, sob a alegação de falta de recursos por parte da família. Contudo, a família teria pago cerca de R$ 1.400,00 pelo caixão.

Isidoro Moraes inicialmente afirmou que indicaria uma pessoa da família para prestar depoimento a CPI com a finalidade esclarecer o caso. Contudo, logo em seguida solicitou a CPI que encaminhasse a documentação enviada pelo secretário municipal de Obras e Serviços Públicos ao Ministério Público para apuração. Adiantou também que não iria mais indicar o familiar para ser ouvido pela CPI, afirmando irá procurar o MP para que ouça o familiar. “Não foi surpresa para mim esse documento. Mas o secretário de Obras e Serviços Públicos terá surpresas”, adiantou Isidoro Moraes.

Filmagem

Na audiência foi registrado ainda que o Observatório Social de Campo Mourão encaminhou a CPI a cópia de uma filmagem realizada com pessoas que trabalham no cemitério. Na audiência passada, o vereador Edson Battilani (PPS) fez a entrega de cheques nominais a um servidor lotado no cemitério e ao seu cunhado, emitidos por munícipes, pela prestação de serviços executados no cemitério.

A CPI do Cemitério é constituída pelos vereadores Edilson Martins (presidente), Toninho Machado (relator) e Elvira Schen (membro). A denúncia inicial era de materiais de construção e até servidores municipais estariam construindo carneiras e comercializando para famílias de falecidos.

Ao longo dos depoimentos foram constatadas diversas condutas irregulares no cemitério municipal. Por exemplo, servidores administrativos do cemitério assinando recibos e recebendo o pagamento pela construção de carneiras executadas por pedreiros particulares que trabalham no local. Depois da abertura da CPI, os servidores teriam deixado de assinar os recebidos, mas por algum tempo ainda receberam pelo serviço para repassar aos pedreiros. Os recibos seriam assinados em branco pelos pedreiros.