CPI do Cemitério: depoimentos confirmam irregularidades em Campo Mourão

A ocorrência de condutas irregulares por parte de servidores da Prefeitura de Campo Mourão que trabalham no cemitério municipal São Judas Tadeu foi confirmada pelos depoentes ouvidos na primeira audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instituída pela Câmara de Vereadores para investigar o caso. Na manhã desta terça-feira (9/4), em sessão pública, quatro pessoas prestaram depoimento.

O primeiro a depor foi o servidor municipal aposentado e pedreiro José Ksey, de 60 anos, que constrói túmulos no cemitério. Em seguida prestou depoimento o pedreiro José Rodrigues dos Santos, que durante aproximadamente 70 dias trabalhou como diarista para José Ksey. A terceira ouvida foi a servidora da Câmara Municipal, a bacharel em Direito Amanda Helena da Silva, que coletou as declarações dos dois pedreiros que fundamentaram o pedido de abertura da CPI.

O quarto e último depoimento foi de Lindalva Bezerra da Silva, que é funcionária administrativa do cemitério municipal.

Denúncia

A denúncia é de que servidores municipais lotados no cemitério – o único da cidade de Campo Mourão – estariam envolvidos na construção e comercialização de carneiras para sepultamentos. Ao longo dos depoimentos foi relatado até que material de construção do Município estaria sendo utilizado nessas obras.

Os vereadores foram informados de que o cemitério possui três coveiros, mas que eles não abrem as covas para sepultamento. Também tomaram conhecimento de que servidores municipais lotados no cemitério recebem o pagamento e até assinavam recibos por serviços prestados por pedreiro particulares que atuam no cemitério. Chamou ainda a atenção o fato de que uma cópia da declaração prestada por José Ksey aos vereadores que pediram a criação da CPI estava de posse do secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, José Marin, antes mesmo da constituição da comissão de investigação. O pedreiro, que não sabe ler ou escrever, teria sido chamado a sala do secretário municipal assim que foi noticiado o pedido de criação da CPI para assinar um documento que alega não ter conhecimento do conteúdo.

Sequência

Constituída pelos vereadores Edilson Martins (presidente), Toninho Machado (relator) e Elvira Schen (membro), a CPI deve marcar nova audiência nos próximos dias para coletar o depoimento de mais pessoas citadas no caso. Outros sete vereadores participaram da primeira audiência: Luiz Alfredo, Olivino Custódio, Edson Battilani, Eraldo Teodoro de Oliveira, Lenita Piacentini, Isidoro Moraes e Pedrinho Nespolo.

A CPI foi criada a partir de requerimento apresentado pelo vereador Isidoro Moraes, subscrito por outros quatro vereadores. A comissão tem prazo de 60 dias para concluir os trabalhos. Porém, o presidente ou o relator pode prorrogar o prazo inicial.