Cortina Verde é tema de encontro na Comcam

Encontro reuniu representantes de vários órgãos ligado ao setor rural – Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com

Foi realizada nesta terça-feira, na sede da Comcam, em Campo Mourão, uma audiência pública regional para debater sobre a implantação da cortina verde na região. Para se ter uma ideia do quanto a região caminha a passos lentos neste quesito, apenas a cidade de Luiziana possui a cortina verde, implantada no ano passado.

Estiveram presentes no encontro, representantes do Ministério Público Ambiental, Instituto Emater, Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar); prefeituras da região, entre outros convidados.

A maior preocupação de todos esses órgãos evidenciada na reunião é com a falta de cuidado de alguns agricultores na hora de fazer a aplicação de defensivos agrícolas em suas propriedades próximas a áreas urbanas.

Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com

Para o engenheiro agrônomo da Emater, Bruno Henrique Vaier Sedeski, coordenador da área de sustentabilidade, é preciso desenvolver um plano de ação urgente para a implantação da cortina verde, como forma de proteção das nascentes de rios, hortaliças, e outros plantações.

“Existe uma legislação específica que regulamenta o uso de agrotóxicos em 14 municípios da região de Cianorte, Apucarana, Campo Mourão e Ivaiporã, visando o bem-estar e a saúde da população, mas sabemos que em muitos lugares essa legislação não vem sendo cumprida”, afirmou.

A intenção, segundo ele, é fazer com que a cortina verde seja disseminada para outras cidades da região. O gerente de sanidade vegetal da Adapar, Marcilio Martins Araújo, explicou que o órgão está fiscalizando a questão da legislação, porém lembrou que o produtor deve ser orientado primeiramente. “O que deve ocorrer é uma migração gradativa para este processo, com a melhoria da tecnologia de aplicação de agrotóxico, que vai resolver o problema de deriva existente nos municípios. Sabemos que toda mudança de hábito gera desconforto, mas é preciso trabalhar para resolver esse conflito entre o meio urbano e o rural, pois sabemos que um depende do outro”, relata.

A expansão urbana de alguns municípios contribui para o agravamento do problema, com algumas cidades já muito próximas de propriedades rurais, o que dificulta no cumprimento da legislação no que tange a distância a ser obedecida na hora da aplicação dos agrotóxicos. Dependendo do tipo de maquinário ou equipamento utilizado, é preciso manter até 250 metros distância da área urbana.