Conselho Tutelar registra 20 casos de abuso infantil em Campo Mourão

Dos 20 novos casos de abuso infantil, a maioria envolve aproveitadores da própria família. Contudo, o total de atendimentos no primeiro quadrimestre deste ano é menor que o divulgado pelo Tasabendo.com no mesmo período do ano passado. Os números atuais foram repassados pela conselheira tutelar Luana Maluf. As crianças e adolescentes fazem exame de corpo de delito, recebem suporte psicológico pelo CREAS (Centro de Referência Especial da Assistência Social) e quando necessário vão para o abrigo do município. Os abusadores são encaminhados à Justiça.

Relembrando informações repassadas pelo Conselho Tutelar no ano passado, a conselheira Vera Zagoto lamenta o fato de que em boa parte das situações o abusador é absolvido por falta de provas. “Quando se faz o exame e se verifica que não houve um estupro, geralmente o agressor não fica preso ou ele é enquadrado em ato libidinoso, cuja pena é mais branda”, revela.

Os abusos

Em geral, os criminosos mostram filmes pornográficos para os menores, pegam em seus órgãos genitais, se masturbam sobre seus corpos, tiram a roupa da vítima ou fazem sexo oral nela. Nesses casos não se comprova abusos por exame e a justiça tem que ficar com o depoimento do menor. Mas, segundo Zagotto “a criança ou adolescente que num primeiro depoimento conta tudo, num segundo momento pode negar o que contou” e, em muitos casos, o maior penalizado da ocorrência é o próprio menor, que vai para um abrigo, pois a primeira atitude do Conselho é afastá-lo do agressor.

O silêncio

A idade mais comum dos abusos é até nove anos de idade, quando a criança é mais inocente e tende a ceder às ameaças que silenciam o menor. “O agressor ameaça matar a mãe ou um animal de estimação da vítima e esse é um argumento que coage a criança nessa idade”, informa Zagotto. A identificação do abuso às vezes ocorre pela mudança de comportamento. “A vítima que era falante fica mais quieta, não dorme direito, faz xixi na cama… se retrai”, observa Luana Stadler, conselheira tutelar.

Contudo não é apenas o agredido que mantém esse silêncio. Muitas vezes a família se recusa a representar contra o agressor. Quando isso acontece é o próprio conselho quem representa contra o adulto. “Mas o problema é que falta respaldo legal. A gente denuncia, mas há casos em que o abusador foi absolvido por falta de provas e está tentando obter a guarda da criança”, explica Zagotto.