Como você se relaciona com o seu celular?
Em tempos de tecnologia, a capacidade humana de se comunicar vai muito além de nos diferenciar da maioria dos animais. O que dizer do celular? Em 1956, quando o primeiro aparelho foi desenvolvido pela Ericsson, quem poderia imaginar que falar à distância, de quase qualquer lugar, seria tão comum? Pois é, tentamos demonstrar o quanto é “tão comum” para algumas pessoas. Percebe-se, contudo, que nem todos gostam de estar ligados a um aparelho que permite que o dono seja encontrado a qualquer momento. Mas os que gostam têm uma ligação “fanática”, quase religiosa, com a possibilidade de manter contato imediato, ao vivo e sem fronteiras.
O corretor de imóveis, Maurício de Lima Fabri, 35, por exemplo, relaciona a evolução que os aparelhos tiveram, com sua própria adaptação às novas possibilidades sempre maiores de um celular. “Hoje uso o celular principalmente para o trabalho. Mas quando comprei meu primeiro celular foi apenas pra ter um, era status. Isso já faz 12 anos, e depois de ter o aparelho por uns cinco anos, resolvi ficar sem, mas não durou uma semana. Depois disso os aparelhos foram sendo modificados e a simples função ligar/atender e receber/mandar mensagens não era mais o principal, e sim os aplicativos e jogos que ele podia lhe oferecer”, conta.
Segundo o estudante Aruan Ribeiro de Souza, 21, sua afinidade com o celular tem aumentado nos últimos meses, chegando a substituir o uso do computador, já que hoje se pode ter às mãos as redes sociais, os e-mails e qualquer página da web. Mas ele salienta que a convivência com tal tecnologia também se acentua de acordo com a intensidade da vida social de cada um. “Acho que também esse grande apego ao celular tem relação com alguns fatores… como, por exemplo, se você esta namorando ou solteiro.”, explica.
Outra estudante, Andrea Souza, 28, lembra que além dessas funções, o telefone móvel também substitui o uso de agenda e relógio de pulso. Seu testemunho deixa claro que sua dependência vai além da telefonia. Está também muito ligada à utilidade do aparelho. “Já fui roubada e sei como é ficar sem celular. A minha primeira reação foi de desespero, pois o ladrão não estava levando apenas um aparelho, mas toda minha lista de contatos, meus lembretes, enfim uma infinidade de informações que julgo ser de extrema importância para o bom funcionamento do meu dia”, declara.
“Até pra tomar banho tenho que levar ele junto”. Dessa forma, o editor de imagens, Edgard Carlis Bortoti, 27, sintetiza o quanto está próximo de seu telemóvel. Ele admite ser totalmente dependente dele, diz que não consegue nem dormir sem ele. Como aquelas pessoas que quando percebem que esqueceram o aparelho, voltam para buscar, não importando a distância. Diferente de quem nunca atendem as chamadas, Edgar não deixa passar uma. “Quando não atendo o celular é por um descuido da bateria e a falta de um lugar para carregá-la”, explica.
A “invasão de privacidade” fez a administradora Aline Viviane Lansa, 23, abandonar o uso do celular. O que ela tem, só está funcionando para enviar mensagens e isso não a incomoda em nada. Quando precisa telefonar para alguém, diz que usa o aparelho da mãe. “Me comunico mais pelas redes sociais com os amigos. Achei que estava invadindo a minha privacidade. Não gostava das ligações constantes perguntando onde estava, com quem estava e quando chegava ou de ver pessoas bravas porque não atendi ligações ou não respondi mensagens que chegavam, às vezes, tarde da noite!”, dispara.
A empresária Silvana Macedo considera-se desligada, pelo menos da função telefônica do celular. “Ele nunca me fez falta”, conta. Para ela, a única ferramenta que justifica ter um aparelho é o facebook. Mas como tem a opção de usar o computador para isso, seu celular está quase sempre sem carga.
Assim, fãs e avessos ao celular, têm seus motivos para usá-los ou não. Quem usufrui das tantas funções e quer dar-se a chance de ser encontrado, não desliga e nem se distancia dele. Quem prefere controlar a própria disponibilidade, usa apenas quando precisa encontrar quem está disponível ou para uma foto talvez. Entretanto, pelo menos entre os aqui entrevistados, prós ou contra ao inegável hábito, todos possuem um aparelho.