Como a carne vegetal pretende substituir a carne bovina

O veganismo e o vegetarianismo não são uma mera tendência ou moda. Nos últimos anos os adeptos dessas correntes alimentares e até culturais, assim podemos dizer, cresceu muito. Apesar de a indústria da carne continuar forte em todo o mundo, ela está a cada ano que passa ganhando uma forte concorrência: a carne vegetal.

Segundo o site SaúdeLogo, atualmente a indústria tradicional fatura mais de US$ 1 trilhão (R$ 4 trilhões, em valores de junho). A concorrência não chega perto desses números, é claro, mas os especialistas em economia e os analistas de mercado apostam que a indústria da carne vegetal chegará a faturar em uma década o equivalente US$ 140 bilhões.

COMO SE COMPORTAM OS MERCADOS DAS CARNES

Embora cada vez mais as pessoas estejam apreciando os sabores dos alimentos veganos, o público carnívoro segue maior. Esse segmento aposta no conservadorismo alimentar, na tradição de um tipo de dieta milenar e que certamente não deixará de existir.

Não é à toa que estabelecimentos alimentares como Burger King, McDonald’s e KFC são líderes de venda em um mesmo nicho, oferecendo produtos praticamente semelhantes. Outras empresas do ramo, ainda menores, vêm crescendo na esteira dessas gigantes, vendo suas ações aumentarem exponencialmente ano após ano.

A cultura da carne, no entanto, está se modificando. Cada vez mais surgem estabelecimentos que oferecem o mesmo hambúrguer, mas com uma “carne” diferente. Pode ser feita de soja, de grão de bico, de feijão preto, de beterraba. Com cominho, com curry, com pimenta. As combinações são as mais variadas possíveis.

Além das variedade absurda de sabores que a carne vegetal oferece, há todo o fator pró animais envolvido na questão. Os vegetarianos recusam consumir qualquer tipo de carne animal, enquanto os veganos não consomem nenhum alimento que tenha origem em animais.

São, portanto, dois mercados diferentes e que exigem ações diferentes das empresas.

O FUTURO DO MERCADO DA CARNE VEGETAL

Muito tem se falado na “Corrida do Ovo”. Há, de acordo com boatos, dezenas de empresas tentando obter o posto de primeira fabricante do substituto do ovo. Esse cenário parece distante, e é por isso que os novos e mesmo antigos empresários têm apostado na proteína vegetal.

Produzir carne em laboratório é uma possibilidade que várias empresas têm pensado sobre. Isso, no entanto, ainda não é muito viável. De acordo com os especialistas, para que a carne vegetal ou a carne em laboratório dê certo, é preciso que o consumidor se sinta atraído pelo sabor, é claro, mas principalmente pelo preço.

Uma das grandes dificuldades da carne feita em laboratório, ou seja, sem ser de origem animal, é que ela não consegue muito espaço nos supermercados. Há resistência por parte das grandes redes, uma vez que elas acreditam que não há consumidores para esse tipo de produto.

Por um lado, estão certas. Grande parte dos consumidores mais fervorosos da carne animal são homens dos 17 aos 70 anos. São pessoas que passaram décadas da sua vida comendo carne, que não conseguem compreender um prato sem carne como alimento. Ou são homens que foram criados em uma cultura de idolatria a esse alimento.

Mudar essas mentalidades é um processo lento, garantem os especialistas, contudo é um processo que não vai parar. Muito disso porque grandes empresas conhecidas por venderem produtos de origem animal estão “comprando a ideia” da carne vegetal.

É nesse sentido que atua o mercado nesse momento. Redes menores de fast food estão fazendo parcerias com redes maiores para introduzirem seus produtos em pontos de venda por todo o mundo.

POR QUE INVESTIR NA CARNE VEGETAL? 

A carne vegetal é muito mais barata de ser produzida do que a carne animal. As matérias-primas utilizadas para a sua produção são produtos acessíveis, que estão nas prateleiras de qualquer supermercado. Além disso, o gasto com fornecedores acaba sendo muito menor.

O sabor, ou a variedade de sabor também precisa ser levada em consideração. É possível agradar a variados paladares com uma carne vegetal. Dá para atingir um público enorme com esse tipo de produto, inclusive aqueles que são mais tradicionais e que consomem apenas carne de origem animal.

Basta lembrar que uma das maiores redes de produtos alimentares do mundo, o Subway, só vende carnes feitas a partir de soja, e milhares de carnívoros consomem seus produtos sem saber disso.