Comandante da PM envia carta à Beto Richa repudiando entrevista de Francischini

kogut

O coronel César Vinícius Kogut, comandante da Polícia Militar (PM), mandou uma carta para o governador Beto Richa (PSDB) sobre a confusão que marcou o último dia 29 de abril durante a manifestação dos professores estaduais. No documento, ele e outros 15 coronéis da corporação, afirmam que o secretário de Segurança Pública do Paraná (Sesp), Fernando Francischini, foi alertado inúmeras vezes sobre os possíveis desdobramentos da ação.

Segundo a carta, mesmo utilizando as técnicas “internacionalmente reconhecidas como indicadas para a situação”, pessoas poderiam sair feridas, como realmente aconteceu na ocasião. “Todas as ações foram tomadas seguindo o Plano de Operações elaborado, aprovado pela Sesp, com a participação do secretário”, diz o documento, assinado por 16 dos 19 coronéis na ativa da PM.

Para eles, Francischini não pode culpar apenas a tropa da PM sem assumir parte da responsabilidade pelo o que aconteceu no dia 29 de abril. Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (4), o secretário declarou, em tom de desculpas, que as imagens da ação da PM foram “terríveis e injustificáveis”. “O planejamento é da PM e o resultado foi terrível, porque aquilo se tornou um campo de guerra”, comentou ele.

Anteriormente, no último dia 30, o próprio coronel Kogut havia assumido responsabilidade pelos desdobramentos da ação da PM e isentado o secretário, diferente do que mostra a carta endereçada ao governador.

Francischini no cargo

De acordo com informações do jornalista Rogerio Galindo, da Gazeta do Povo, o secretário Francischini foi mantido no cargo nesta quarta-feira (6) depois de uma reunião com o governador. A reportagem informa que, segundo fontes próximas ao governador, ele entrou na reunião demitido e saiu tendo a confirmação de que permaneceria no cargo.

 Leia a carta na íntegra

CARTA AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR GOVERNADOR DO ESTADO DO PARANÁ

O Comando da Polícia Militar do Paraná, instituição sesquicentenária que labuta diariamente em prol da segurança pública do Estado do Paraná, cumprindo incansavelmente a sua missão constitucional, vem perante Vossa Excelência manifestar o seu repúdio às declarações atribuídas pela Imprensa ao Secretário de Estado da Segurança Pública, em data de 04 de maio de 2015 – e até agora não desmentidas – as quais atribuem única e tão somente à PMPR a responsabilidade pelos fatos ocorrido em 29 de abril de 2015, quando da manifestação dos professores, pelos fundamento abaixo delineados.

a) A Polícia Militar do Paraná esteve presente no dia 29 de Abril de 2015, cumprindo o seu papel constitucional de preservação da ordem pública, no intuito de garantir a ordem pública e impedir uma possível invasão à Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, em atendimento ao interdito proibitório expedido pela Justiça paranaense, devidamente comandada, com planejamento prévio e ciente dos desdobramentos que poderia advir.

b) Que o Senhor Secretário de Segurança Pública foi alertado inúmeras vezes pelo comando da Tropa empregada e pelo Comandante-Geral sobre os possíveis desdobramentos durante a ação e que mesmo sendo utilizadas as técnicas internacionalmente reconhecidas como as indicadas para a situação, pessoas poderiam sofrer ferimentos, como realmente ocorreu, tendo sido vítimas manifestantes e policiais militares empregados na operação.

c) Que imediatamente após os fatos foi determinada a abertura de Inquérito Policial Militar para a apuração dos possíveis excessos, no sentido de serem responsabilizados todos os que tenham dado causa aos mesmos.

d O que não se pode admitir em respeito à tradição da Polícia Militar do Paraná, seus Oficiais e Praças, que seja atribuída a tão nobre corporação a pecha de irresponsável ou leviana, por não ter sido realizado um planejamento, ou mesmo que tenha sido negligente durante a operação, pois todas as ações foram tomadas seguindo o Plano de Operações elaborado, o qual foi aprovado pelo escalão superior da SESP, tendo inclusive o Senhor Secretário participado de diversas fases do planejamento, bem como é importante ressaltar que no desenrolar dos fatos o Senhor Secretário de Segurança Pública era informado dos desdobramentos.

e) O Comando e os demais integrantes da Corporação deixam claro a Vossa Excelência que nunca deixarão de cumprir o seu juramento desempenhar com honra, lealdade e sacrifício de sua própria vida, as suas obrigações, na defesa da Pátria, do Estado, da Constituição e das Leis.

Curitiba, R, 5 de Maio de 2015.

Cel. QOPM Cesar Vinícius Kogut,

Comandante-Geral da PMPR