Coleta seletiva: Catadores autônomos inviabilizam serviço da Seleta

Gerente da Seleta diz que catadores autônomos deixam pouca coisa para a coleta seletiva – Foto: Divulgação
De janeiro a maio deste ano, a Seleta – empresa responsável pela prestação de serviços de limpeza das vias urbanas e coleta de lixo no Município de Campo Mourão – recolheu apenas 490 toneladas de lixo reciclável no município, quantidade considerada baixa para uma cidade com mais de 90 mil habitantes.
Na Semana Nacional do Meio Ambiente, a reportagem do Tasabendo.com ouviu o gerente da Seleta, Gustavo Pascon que falou sobre a questão, apontando os catadores individuais como responsáveis pela baixa quantidade recolhida pela empresa. “Esse problema já ocorre há bastante tempo. Os catadores autônomos passam antes do nosso caminhão e carregam tudo”, reclama Pascon.
Enquanto a Seleta juntou menos de meia tonelada em cinco meses, Pascon acredita que os catadores autônomos recolheram pelo menos o dobro dessa quantia. “Já fizemos uma pesquisa, a qual apontou que eles levam mais que o dobro do que juntamos. Tem rua que passamos até mais de uma vez ao dia para ver se sobra alguma coisa, mas tem dias que o caminhão chega quase vazio ao pátio”, afirma.
Além de não dar a destinação correta para o lixo reciclável, expondo parte do material que não consideram lucrativos às margens de rios e fundos de vales, os catadores deixam muita sujeira nas ruas. “Eles passam um pouco antes do caminhão da coleta, abrem as sacolas e selecionam o que querem levar, deixando o restante espalhado na rua. Aí os moradores ligam na empresa culpando os nossos funcionários”, reclama Pascon.
De acordo com o gerente, a destinação incorreta do lixo reciclável compromete a geração de renda de pessoas que vivem da coleta deste tipo de material. Pascon explica que a coleta seletiva é feita na cidade duas vezes por semana em 100% dos bairros do município. “Campo Mourão é uma das poucas cidades do Paraná que conta com a coleta seletiva duas vezes por semana, geralmente este tipo de coleta é feita apenas uma vez na semana”, falou.
Em Campo Mourão, todo o material é levado para duas cooperativas de recicláveis da cidade: a Associguá (Associação de Arrecadação de Materiais Recicláveis da Vila Guarujá), que funciona em um barracão no Lar Paraná e a Cooperresíduos (na antiga Prainha Humaiti).
As cooperativas, que têm o apoio do município por meio da Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente, fazem a separação por tipo de material e vendem para indústrias de processamento, sediadas em Engenheiro Beltrão e Maringá.
“Deveria haver mais fiscalização, a gente passa nos bairros e vê fundos de quintais acumulando grande quantidade de recicláveis e contribuindo para a proliferação do mosquito transmissor da dengue. Sem contar que pagamos mão de obra, manutenção dos caminhões, que precisam estar regularizados, enquanto nas ruas vemos pessoas com camionetas sem placas e caindo aos pedaços fazendo o trabalho, alguns até utilizando crianças”, desabafa Pascon.