Colégio Vicentino Santa Cruz comemora 75 anos com a presença de Irmã fundadora, de 95 anos

Foto: Clodoaldo Bonete/Tasabendo.com
Com a presença ilustre da Irmã Terezinha Maria Bertuol, o Colégio Vicentino Santa Cruz realizou no dia 15 de março, um jantar comemorativo pelos 75 anos de Vida e Missão Educativa em Campo Mourão neste ano de 2025.
Atualmente, aos 95 anos, Irmã Terezinha é uma das três fundadoras da instituição, em 1950. Tudo começou no dia 14 de fevereiro daquele ano, quando ela chegou a Campo Mourão acompanhada das Irmãs Marta Klein e Cecília Lechoski (ambas já falecidas) para dar início às atividades na cidade.
No entanto, somente no dia 7 de maio de 1950, aconteceu a inauguração oficial do Colégio, como consta no livro tombo da paróquia, atual Catedral São José.
Irmã Terezinha participou ativamente do jantar festivo e recebeu homenagens. Além dela outras irmãs que fizeram parte da direção do colégio também estiveram presentes.
Morando atualmente em uma chácara, em Araucária, acompanhada de mais 27 irmãs, todas já idosas, Irmã Terezinha demonstra muita vitalidade, sabedoria, simpatia e esbanja saúde.

Em um bate-papo descontraído, ela relembrou um pouco de sua trajetória no Colégio Vicentino Santa Cruz. Disse que nasceu em Erechim (RS) e que a vocação vem de berço.
“Minha mãe era Irmã de uma outra congregação e depois minha irmã também seguiu os passos dela. Inclusive essa minha irmã completa 100 anos, em 2025, e mora comigo na chácara, em Araucária”, conta ela.
Antes dos 18 anos, a jovem Terezinha decidiu assumir a missão religiosa, após a sua irmã ir na frente e não retornar. “Pensei comigo, se ela foi e não voltou, é porque é bom. Fui então para Curitiba onde frequentei o seminário por cerca de um ano. De lá fui enviada para Rio Claro (PR), próximo a Irati, onde fiquei por cerca de um ano e pouco. Após esse período, a provincial disse que precisava de uma irmã jovem para acompanhar outras duas na abertura de uma escola, em Campo Mourão”, recorda ela.
Ao lado das Irmãs Marta e Cecília, ambas com mais de 50 anos, Terezinha chegou a Campo Mourão, em 1950. “Nunca tinha ouvido falar de Campo Mourão, pois a cidade havia sido emancipada há três anos. Só havia umas 50 casas e apenas a rua principal (Capitão Indio Bandeira), de terra. Quando ventava, cobria a escola de pó vermelho. Não havia funcionários, a escola era de madeira e a limpeza ficava toda por nossa conta. Era muito serviço”, revela.
Na época, a instituição oferecia apenas o ensino primário de 1º ao 4º ano. Nos primeiros meses, nem carteiras havia. “Emprestamos uns bancos e nas aulas orais as crianças sentavam, mas quando precisava escrever tinham que ficar de joelho para colocar o caderno no banco. Após alguns meses chegaram as carteiras e melhorou”, conta ela.
Irmã Terezinha permaneceu por cinco anos no Vicentino Santa Cruz, quando saiu, mas depois retornou na década de 60, ficando por mais cinco anos.
Sobre as dificuldades vivenciadas na época, ela não reclama. “A gente não levava em conta as dificuldades, porque era daquele jeito mesmo, no mundo todo. E como acompanhei a evolução, ano após ano, não considero tão difícil na época, como não vejo tão adiantado nos dias de hoje”, revela.
CANTINHO DA FARTURA
Aos 95 anos, Irmã Terezinha vive muito bem, em um ambiente junto à natureza, respirando ar puro e desfrutando das coisas boas do campo.
“Na chácara em que moro, com mais 27 Irmãs, algumas debilitadas, temos vaca leiteira, porcos e galinhas. Temos também o cantinho da fartura, onde produzimos 15 qualidades de licores, geleias, doces e bolachas. É muito bonito o lugar. Os produtos a gente vende para excursões de Santa Catarina que passam por lá, pois a chácara faz parte de um roteiro municipal de excursões.”
Durante a passagem por Campo Mourão, no início deste mês, ela visitou o Colégio Vicentino Santa Cruz, e distribuiu autógrafos para várias estudantes, enquanto os visitava em sala de aula. “Daqui a cinco anos completo 100 anos e voltarei para comemorar os 80 anos do Colégio Santa Cruz”, já antecipou ela.