CF/2026 foca no direito à moradia; Campo Mourão tem déficit habitacional de 13 mil famílias

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta Quarta-feira de Cinzas (18), em Brasília, a Campanha da Fraternidade (CF) de 2026, com o lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14).
Com o tema “Fraternidade e Moradia”, a Igreja católica trata da realidade de milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a uma casa adequada.
REALIDADE DE CAMPO MOURÃO
Uma fatia desses números corresponde ao déficit habitacional em Campo Mourão, onde mais de 13 mil famílias expressaram em um período de dois anos, de novembro de 2023 a novembro de 2025, a necessidade de moradia.
Essa realidade foi evidenciada na manhã desta quarta-feira, 18, durante uma coletiva de imprensa concedido pelo bispo diocesano dom Evandro Luis Braun, sobre o tema da Campanha da Fraternidade. “A realidade é muito dura, mas se cada um de nós fizermos um pouco, os resultados vão começar a aparecer”, disse dom Evandro.
Além dos milhões sem moradia pelo Brasil, o religioso citou a situação de outra parcela da sociedade vivendo em condições subumanas, em condições precárias de moradia. “É preciso refletir sobre isso, mas que essa reflexão nos leve a uma ação concreta. A moradia não é privilégio, é condição básica para o exercício de outros direitos”, afirmou.

MAIS DESIGUALDADE
Também foram apresentados números alarmantes relacionados a moradores de rua. Atualmente, são 219 pessoas em situação de rua inscritas no Cadastro Único do município.
Segundo a coordenadora das Cáritas Diocesana, Jaqueline Batista Farias, somente em outubro, 143 pessoas diferentes foram atendidas no Centro POP. E, atualmente, 26 pessoas estão em acompanhamento mais continuo pelo serviço. “Mas é importante lembrar que, por trás de cada número, existe uma pessoa”, declarou.
Questionada sobre o porquê tanta gente de fora acaba escolhendo Campo Mourão para ficar, Jaqueline não fez rodeios: “A maioria diz que prefere permanecer por aqui, porque os moradores de Campo Mourão são mais generosos.”
Além do bispo e da coordenadora das Cáritas Diocesana, participaram da coletiva, os padres Waldir Romero Junior e Wesley de Almeida dos Santos. Todos falaram sobre o drama de quem não tem um casa para morar e ainda das pessoas que consomem uma grande fatia do salário com aluguel.
A CNBB esclarece que esta edição da campanha foi inspirada em uma sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas. O objetivo é provocar uma reflexão sobre a habitação como um direito fundamental e a “porta de entrada” para outros direitos, como saúde, segurança, educação e dignidade.