CARTA ABERTA: Aos representantes e representados
‘A representação ‘política’ tende a ‘educar’ – isto é, a deseducar – as pessoas na convicção de que elas não poderiam gerir os problemas da sociedade, que existe uma categoria especial de homens dotados da capacidade especifica de ‘governar’ C. CASTORIADIS (1983), (p.274)
Na Política democrática, os eleitores escolhem seus representantes pelo voto, na disputa entre projetos políticos que os partidos divulgam e afirmam que irão cumprir. Definido vencedores e vencidos, é aceito pela comunidade o resultado, em prol da continuidade da ordem social. Durante o período estipulado para o mandato o representante e grupo político deverão implementar o projeto e propostas com as quais se apresentaram, objetivando atender as expectativas e necessidades para o desenvolvimento social e humano da comunidade e seus membros.
E depois de passado o período eleitoral, o que os membros da comunidade devem fazer? Sejam eles apoiadores ou opositores, devem se acomodar, se conformar, “deixar pra lá” com o que não concorda, o que não vê ser realizado, esperar mais quatro anos para talvez mudar.
Como diz a música, “O tempo não para”, as variações climáticas não param, a economia não para, as necessidades das pessoas na área da saúde, da educação, dos serviços urbanos, e tanto outros não param.
A arrecadação de impostos pela Administração Pública não para. O desperdício, a má aplicação dos tributos que as pessoas físicas e jurídicas produtivas do município pagam para se manterem e se desenvolverem escoam, e isto, não deve ser visto, não deve ser fiscalizado, não deve ser discutido?
Quem participa da disputa democrática, antes de tudo, deve se comprometer com os pilares que sustentam a ordem democrática. A participação comunitária, independente e crítica constituem-se em um dos pilares da Democracia.
Na concessão feita pelo conjunto da comunidade que conduziu pelo voto, os membros do atual Poder Executivo e Legislativo, para atuarem como representantes nas respectivas esferas políticas e administrativas dos órgãos públicos, não esta embutida à renúncia dos direitos dos representados. Não foi estabelecido um pacto de silêncio e submissão. Na Democracia não se concede poder, se concede representação. Nossa constituição diz, “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos…”
A sociedade civil, através de cada membro e/ou de suas entidades e instituições organizadas, não precisam pedir licença ou pedir desculpas para expor suas opiniões e críticas, é seu Direito. Ela não se posiciona para se confrontar com indivíduos, mais em favor dos seus interesses, de um melhor projeto para o bem comum, para o cumprimento dos projetos, procedimentos e metas, de melhor atendimento as necessidades da comunidade.
A ordem Democrática, e as leis vigentes, garantem o Direito, o Dever e o Poder, da Sociedade Civil, de fiscalizar, propor, implementar por livre iniciativa, ações que busquem o melhor funcionamento da Administração Pública, como o desenvolvimento econômico social e humano, da comunidade e seus membros.
Discorrer sobre “Representantes e Representados”, é por luz sobre o verdadeiro cenário onde deve ser discutido as ofensas e inverdades desferidas contra o Observatório Social, quando da manifestação em carta aberta de diversos questionamentos sobre irregularidades em obras e ações da Administração Pública Municipal, que por meses a Prefeitura não se digna a responder.
O Observatório Social, tem prestado relevantes serviços para a comunidade, sobretudo por se dedicar a busca de maior transparência na administração pública. Dispõe de reconhecimento e legitimidade por parte de membros e entidades da sociedade civil local, por ter sido organizado por pessoas que possuem solidificado reconhecimento público ao se dedicarem a promover o desenvolvimento sócio cultural e econômico de nosso Município.
Seja no acompanhamento de projetos e das ações administrativas da Prefeitura, especialmente nas licitações, seja na questão da onerosa carga tributária, o Observatório Social cumpre seu objetivo e ação cotidiana, em nome e pela comunidade Mourãoense. Desqualificar seu Presidente Ater Cristófoli, acusá-lo de proselitismo político e interesses pessoais, é utilizar a velha tática de desqualificação insinuando do justo, ser movido por motivos espúrios. Toda crítica é rechaçada como sendo“carga” proveniente da “trincheira de opositores políticos”.
A ação do Observatório Social, não pode ser caluniada como parte de um quadro de disputa por cargo político, esta é uma ação de cidadania. Temos o direito, e a Prefeitura a obrigação ética e legal de prestar conta de seus atos e ações ao Povo e seus representantes, organizados da sociedade civil.
Como já foi dito, “Ela (a Sociedade Civil) não se posiciona para se confrontar com indivíduos, mais em favor dos seus interesses, de um melhor projeto para o bem comum”. Através do Observatório Social fiscalizamos, junto com ele nós, a Sociedade Civil, fomos atacados, todas as suas entidades e representantes de classe, que lutam pelo bem comum, para o desenvolvimento econômico e social de Campo Mourão.
Não somos um grupo excluso que se traveste em entidades políticas, somos a fração da população que assume responsabilidades no desenvolvimento econômico e social do nosso município. Organizamos e executamos as ações diárias que criam e mantém as forças produtivas e sociais que permite a Administração Pública arrecadar grande parte das verbas, através dos impostos, que viabilizariam a execução dos possíveis serviços públicos que deveriam ser executados para toda a população.
Retornando a frase citada acima de Cornelius Castoriadis, se a representação política “deseduca” as pessoas em acreditarem que elas não poderiam gerir os problemas da sociedade, nossa ação vigilante e dedicada objetiva afirmar que podemos sim nos auto governar, delegando “gerências”, mas cuidando sempre dos projetos, das verbas, dos objetivos, dos resultados, da transparência e da ética que possibilitaram uma comunidade melhor. E que todos os segmentos sociais podem e devem participar.
Não abrimos mão de nossa cidadania nem de nosso papel de agentes das transformações necessárias na construção de uma sociedade livre, sustentável, solidária, ética. Direitos inalienáveis como é o direito que temos de cobrar, opinar e criticar. Temos o direito de ter respostas da Prefeitura, técnicas e transparentes, chega de cinismo e impropérios!
Amamos nossa cidade, cuidamos do que amamos, investimos diariamente na concretização de nossos sonhos alicerçados no futuro da nossa cidade, que vemos aos poucos esmorecer frente ao descaso, desmando, abandono … uma voz grita, Observatório Social, que surge neste momento histórico onde a cidade se levanta em uma ação de auto defesa e sobrevivência, cujo objetivo é único e claro, a luta pela manutenção e consolidação da nossa casa, abrigo de nossos filhos, herança de nossos netos, não vamos permitir o saque físico e moral, … nos diversos segmentos da administração pública, o caos está instalado e como agentes desta história, faremos nossa parte, manifestamos nosso apoio ao Observatório Social que projeta o pensamento coletivo, de vários homens, entidades, grupos que trabalham para construir uma sociedade mais justa e igual para todos.
Queremos Respeito à Sociedade Civil, respeito a quem concedeu e pode tirar!
Campo Mourão, 14 de março de 2011.
ACICAM
OAB-SUBSECÇÃO DE CAMPO MOURÃO
SINDICATO EMPRESARIAL DO COMÉRCIO VAREJISTA
CONSEG – CONSELHO DE SEGURANÇA
CDL – CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS
SINDICATO DOS HOTÉIS, BARES, RESTAURANTES E SIMILARES
SINDICATO DOS CONTABILISTAS
ROTARY CAMPO MOURÃO
ROTARY CAMPO MOURÃO VERDES CAMPOS
ROTARY CAMPO MOURÃO GRALHA AZUL
ROTARY CAMPO MOURÃO ARAUCÁRIA
ROTARY CAMPO MOURÃO LAGO AZUL
LOJA MAÇÔNICA OLIVEIRA ZANINI N. 45
LOJA MAÇÔNICA VERDADE E JUSTIÇA
LOJA MAÇÔNICA TEMPRÁRIA DA FRATERNIDADE
LOJA MAÇÔNICA LUZ DO ORIENTE
ASSOCIAÇÃO DE SENHORAS DE ROTARIANOS
CONSELHO DA MULHER EXECUTIVA/EMPRESÁRIA
CÂMARA DA MULHER EMPREENDEDORA